CORPOS PÓS-HUMANOS: CIBORGUES E TRANSUMANISMO EM NEUROMANCER, DE WILLIAM GIBSON
Resumo
O artigo analisa a construção de identidades pós-humanas em Neuromancer, de William Gibson, por meio da interação dos corpos dos personagens com as tecnologias. A investigação se pauta em perspectivas não-dualistas sobre as ciências e as tecnologias, ao buscar entender a interação corpo-máquina a partir de sua relação com a vida. Estabelece-se uma crítica ao transumanismo enquanto projeto ideológico de construir um ser humano aprimorado, ao passo que se evidencia as competências terapêuticas e emancipadoras do conceito de ciborgue. A análise do discurso, somada às ferramentas da Epistemologia Histórica e da Teoria da História foram acionadas de forma a evidenciar como a narrativa literária articula a produção do conhecimento científico e de temporalidades ao formular seu universo pós-humano. Os resultados alcançados demonstram o potencial crítico do cyberpunk, sua concepção plural das tecnologias e apresentam as viabilidades do uso da ficção científica para ponderar sobre as desigualdades que permeiam os campos das ciências e das tecnologias, em perspectiva histórica. Conclui-se, desse modo, que Neuromancer contribui para uma Teoria da História não-antropocêntrica, ao tensionar o conceito de “ser humano”.
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