O DIÁRIO DE CAROLINA MARIA DE JESUS COMO DOCUMENTO HISTÓRICO: ENTRE TESTEMUNHO, EXPERIÊNCIA E REPRESENTAÇÃO.
Resumo
Este artigo discute Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus, como documento histórico, analisando suas formas de representação da experiência, o modo como articula memória, subjetividade e denúncia social, e as potencialidades do diário enquanto fonte para a escrita da história. À luz de debates contemporâneos que aproximam história e literatura, argumenta-se que a obra de Carolina constitui um registro singular sobre as condições de vida nas favelas urbanas brasileiras nos anos 1950, permitindo acesso às vozes silenciadas pela documentação estatal. Dialogamos com reflexões de Pesavento, Candido, Florestan Fernandes dentre outros que nos ajudaram a compreender como o diário opera simultaneamente como narrativa literária, testemunho social e dispositivo político de auto inscrição de uma mulher negra e pobre em um espaço historicamente negado. Conclui-se que o texto permite problematizar fronteiras entre história e ficção, bem como repensar o lugar do subalterno na historiografia brasileira.
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