O retorno em O Verão Tardio, de Luiz Rufatto: quando a volta para casa é outro exílio
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2023.v25n1a58530Palavras-chave:
Literatura Contemporânea, Exílio, Deslocamento, Reencontro.Resumo
Após duas décadas de trabalho na cidade de São Paulo, Oséias retorna a Cataguases, sua cidade natal. Nostalgicamente, seis dias são suficientes para que esse narrador-protagonista experimente um retorno (como tipo de novo exílio) marcado por fraturas emotivas, descentramentos familiares e reencontros, pode-se dizer, mesmo hostis. Nesse retorno, percebe que estar no lugar de origem não lhe dá a sensação de estar em casa. Assim posto, o objetivo desse artigo é analisar o sentido de retornar como espécie de autoexílio no romance O verão tardio, de Luiz Ruffato. No romance o protagonista retorna a sua cidade, tentando reencontrá-la em si mesmo, numa espécie de viagem às avessas onde tempo e espaço se cruzam, quando ele anda pelos lugares de infância. A análise foi feita a partir da leitura do e reflexão sobre o romance, entremeada com estudos já feitos sobre o autor, bem como de estudiosos que discutem temas como deslocamentos, migrações, literatura contemporânea, exílio, a saber: Zygmunt Bauman, Homi Bhabha, Stuart Hall, Edward Said e Regina Dalcastagnè.
Tais estudos demostram que indivíduos em condição de deslocamento, submetidos a pressões materiais e simbólicas, sujeitam-se a situações extremas e, por vezes, ao sentimento de inadequação, pois a vida os transforma em estrangeiros de seus lugares conhecidos de origem, por onde perambulam, como os que lhes restaram.
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