Mia Couto, uma poesia limiar
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2024.v26n3a63227Resumo
A partir da ideia benjaminiana de limiar, propomos a leitura de poemas do moçambicano Mia Couto, considerando duas instâncias de sua poesia. A primeira seria a poesia voltada pra o eu, em que o sujeito poético busca entender-se como poeta e como parte integrante de sua terra. A segunda instância seria a que chamamos, aqui, “poemas do outro”. Essa poesia se coloca mais próxima de um limiar, um umbral que turva as linhas firmes das fronteiras. O ser, para Mia Couto parece necessariamente integrar o outro e deixar-se estar nesse entre-lugar do eu e do não-eu, espaço que parece ser especialmente importante para a sua poesia, que se inscreve entre um lirismo individualizante e uma lírica de fricção com o outro. Essa dualidade (ou até indistinção?) está presente em diversos poemas seus. A fim de refletir, assim, acerca de uma “poesia limiar”, consideraremos alguns poemas de Vagas e Lumes, publicado em 2014.
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