Encruzilhada, indeterminação e sentido: insumos para uma teoria literária a partir da concepção de exu como operador teórico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n2a67940

Resumo

Este artigo propõe fundamentos para uma teoria literária a partir da filosofia nagô, tal como formulada por Muniz Sodré em Pensar Nagô (2017), elegendo Exu — orixá da encruzilhada, da ambiguidade e da comunicação — como operador teórico. Longe de representar apenas uma figura mitológica, Exu é aqui compreendido como princípio epistêmico que desestabiliza categorias centrais da crítica ocidental, como autoria, tempo e narrativa. A partir de uma abordagem teórico-conceitual que articula os campos da literatura, da filosofia africana e das epistemologias decoloniais, argumenta-se que a encruzilhada exuística constitui não apenas uma metáfora, mas um método crítico. No lugar da hermenêutica da estabilidade, propõe-se uma leitura fundada na indeterminação, na oralidade e na performance ritual. O artigo sustenta que a narrativa, no pensamento nagô, não é representação, mas acontecimento, e que a crítica deve ser compreendida como prática de escuta encarnada. Ao reinscrever o corpo, o sagrado e a ancestralidade como vetores teóricos, a proposta aqui desenvolvida desafia os limites do cânone literário e afirma a potência das epistemologias afro-diaspóricas como fundadoras de novos regimes de leitura e pensamento crítico.

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Biografia do Autor

Marcos Ramos, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e Universidad Nacional de Colômbia

Marcos Ramos é mestre e doutor em Letras (Estudos Literários), certificado em Estudos Afro-Latino-Americanos pela Universidade de Harvard (ALARI), com pós-doutorados no Centro de Estudios Sociales da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL) e no Departamento de Música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Suas pesquisas estão vinculadas às dinâmicas de negociação e conflito no campo da cultura, com ênfase nos modos como formas simbólicas são capturadas, tensionadas ou reinventadas em contextos marcados por desigualdades estruturais. É editor da revista Améfrica (www.amefrica.org), organizador do Ciclo Afro e idealizador do projeto ZatZero (www.zatzero.org), plataforma dedicada à tradução e difusão de textos insurgentes.  Atualmente, é professor-leitor do Programa de Leitorado Guimarães Rosa, em Bogotá, e professor visitante no Departamento de Literatura da Universidade Nacional da Colômbia. Integra o Núcleo de Estudos Literários e Musicológicos (NELM) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o Laboratório de Etnomusicologia, Antropologia e Audiovisual (LEAA) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e o Grupo de Estudios Afrocolombianos (GEA) da UNAL. É também pesquisador associado à International Association for the Study of Popular Music (IASPM) e à Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM).

Moisés Nascimento, Universidade Estado do Rio de Janeiro

Moisés Nascimento é cria de Serra Dourada, um dos fundadores dos projetos Zumbi Vem e SD Bibliobikesom, ambos na Serra/ES. Educador, músico, produtor cultural, é doutor em teoria literária (UFRJ) e atua como analista de literatura do Sesc Rio. Filho de Xangô, é Ogã de Oxóssi no Ilé Àṣẹ Ìṣégun Ọdẹ.

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Publicado

2025-09-26

Como Citar

DO AMARAL RAMOS JÚNIOR, Marcos Alexandre; FERREIRA DO NASCIMENTO , Moisés. Encruzilhada, indeterminação e sentido: insumos para uma teoria literária a partir da concepção de exu como operador teórico. Diadorim: revista de estudos linguísticos e literários, Rio de Janeiro, v. 27, n. 2, p. e67940, 2025. DOI: 10.35520/diadorim.2025.v27n2a67940. Disponível em: https://www.revistas.ufrj.br/index.php/diadorim/article/view/67940. Acesso em: 16 maio. 2026.

Edição

Seção

DIADORIM VOLUME 27.2: Dossiê de Literatura - Africanidade: Língua, Literatura e Cultura na África e na América Latina