Encruzilhada, indeterminação e sentido: insumos para uma teoria literária a partir da concepção de exu como operador teórico
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n2a67940Resumo
Este artigo propõe fundamentos para uma teoria literária a partir da filosofia nagô, tal como formulada por Muniz Sodré em Pensar Nagô (2017), elegendo Exu — orixá da encruzilhada, da ambiguidade e da comunicação — como operador teórico. Longe de representar apenas uma figura mitológica, Exu é aqui compreendido como princípio epistêmico que desestabiliza categorias centrais da crítica ocidental, como autoria, tempo e narrativa. A partir de uma abordagem teórico-conceitual que articula os campos da literatura, da filosofia africana e das epistemologias decoloniais, argumenta-se que a encruzilhada exuística constitui não apenas uma metáfora, mas um método crítico. No lugar da hermenêutica da estabilidade, propõe-se uma leitura fundada na indeterminação, na oralidade e na performance ritual. O artigo sustenta que a narrativa, no pensamento nagô, não é representação, mas acontecimento, e que a crítica deve ser compreendida como prática de escuta encarnada. Ao reinscrever o corpo, o sagrado e a ancestralidade como vetores teóricos, a proposta aqui desenvolvida desafia os limites do cânone literário e afirma a potência das epistemologias afro-diaspóricas como fundadoras de novos regimes de leitura e pensamento crítico.
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