Sociolinguística da memória: africanidades na formação do português brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n2a68021Resumo
Este artigo propõe uma análise histórica e sociolinguística do contato entre línguas africanas e o português brasileiro, com foco na contribuição do fongbè e de outras línguas do grupo Kwa à constituição do vernáculo afro-brasileiro. A pesquisa parte da necessidade de revisar criticamente os paradigmas eurocentrados que ignoraram a centralidade da diáspora africana na formação linguística da América Latina, particularmente no Brasil. O aporte teórico ancora-se na sociolinguística do contato (Thomason, 2001; Petter, 2014) e na crítica à glotopolítica colonial, incorporando também perspectivas afrocentradas de autores como Pessoa de Castro (2002), Bonvini (2014) e Parkvall (2012). Metodologicamente, a pesquisa articula análise documental, descrição linguística e levantamento etno-histórico, com base em mapas linguísticos, dados do tráfico atlântico e registros rituais de comunidades afro-religiosas. Os resultados apontam a permanência estrutural de elementos lexicais e sintáticos africanos no português brasileiro, evidenciando processos de crioulização, descrioulização e resistência linguística. A investigação revela ainda que práticas glotopolíticas contribuíram para a marginalização dessas línguas, transformando-as em marcas de identidade periférica. Projeta-se, assim, a ampliação de estudos sobre a interseção entre língua, memória e ancestralidade na diáspora, bem como a valorização de políticas linguísticas que reconheçam a diversidade como fundante da experiência latino-americana e afro-atlântica, ou seja, amefricana.
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