A ressignificação de “pretuguês” como forma de falar português: contextualizações linguística e histórica
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n2a68591Resumo
Nos estudos linguísticos e históricos, o termo ‘pretuguês’/‘pretoguês’ é registrado desde o período colonial, sendo associado, de forma pejorativa, ao modo como os africanos negros falavam a língua portuguesa. O conceito também se relaciona à chamada “língua de preto”, falada por africanos escravizados em Portugal a partir do século XVI (Kihm; Rougé, 2013). O uso depreciativo e marginalizado do termo perdura até o século XX (Mingas, 2018; Matias e Pinto, 2020). No entanto, ainda nesse período, no contexto das lutas de libertação dos países africanos colonizados por Portugal, ocorre um processo de ressignificação. Como aponta Macedo (1992), Luandino Vieira elabora artisticamente o pretuguês como marca de “angolanidade” em sua obra Luuanda, publicada em 1963. Na contemporaneidade, o termo aparece em diferentes gêneros e mídias — músicas, blogs, podcasts, entre outros — em espaços geopolíticos que passaram por processos de colonização, como Angola e Brasil. Nessa perspectiva, demonstramos no texto que o pretuguês constitui-se como um processo discursivo e ideológico, acionado estrategicamente na promoção de práticas educativas, antirracistas e sociais. Além disso, o conceito atual de pretuguês expressa uma busca identitária por autonomia linguística, voltada à valorização de diferentes modos de falar português.
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