v. 19 n. 1 (2017): Literatura

					Visualizar v. 19 n. 1 (2017): Literatura

O catastrófco desenrolar destas já quase duas décadas do século XXI deixa em nosso imaginário uma amarga certeza: estamos inegavelmente na vigência de um tempo de crise cuja imensa pluralidade de conceitos e de posicionamentos nem sempre apontam para uma ética salutar ou, se quisermos, para uma partilha do sensível, na expressão de Jacques Rancière. Frente ao caos político-econômico instaurado em nível global, frente à violência das guerras que assolam o Oriente Médio, frente ao desabrigo dos refugiados sírios, frente, enfm, à miserabilidade, à perda das raízes culturais, à diluição das territorialidades e à frenética dizimação de etnias não hegemônicas e/ou de populações minoritárias que buscam demarcar as suas identidades sexual e de gênero -- temas que mais do que justifcadamente se têm apresentado como urgências políticas atuais --, frente a tudo isso, eis a pergunta: haverá lugar para o florescimento da literatura em terreno tão inóspito? Por outras palavras: qual será a necessidade da arte diante de um mundo reifcado? Qual será a sua ambiência, o seu possível espaço de atuação, num contexto sócio-político-econômico-cultural que se apresenta cruelmente sob o signo de um capitalismo perverso e avassalador?

A boa arte é sempre um espaço de resistência, bem o sabemos, pois não há democracia sem a defesa do atrito. Acreditando ser a literatura um lugar de enfrentamento entre o artista e o mundo, este número da Revista Diadorim se debruçou sobre o tema arte e resistência nas literaturas portuguesa e africanas, abarcando propostas de discussão que, de Camões a Luis Quintais, de Saramago a Pepetela, evidenciam elas próprias o quanto o lugar da literatura é o da luta, na medida mesma em que é preciso -- e talvez nunca tenha sido tão necessário -- resistir!

Publicado: 2017-06-30

Edição completa

Apresentação

  • Apresentação

    Apresentação Diadorim
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13014

Artigos de Literatura

  • INTERROGAÇÕES CONTEMPORÂNEAS NA POESIA DE LUIS QUINTAIS

    Ida Alves
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13015
  • A IDENTIDADE NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL CABO-VERDIANA

    Avani Souza Silva
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13017
  • LITERATURA, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

    Silvio Renato Jorge
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13019
  • A FRUIÇÃO DO INCONSCIENTE COMO GESTO DE RESISTÊNCIA EM O CÉU NÃO SABE DANÇAR SOZINHO, DE ONDJAKI

    Carolina de Azevedo Turboli
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13071
  • ENTREVISTA COM A ESCRITORA PAULINA CHIZIANE

    Cintia Acosta Kütter
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13072
  • O EXÍLIO COMO DESTINO

    Zuleide Duarte
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13073
  • A REMINISCÊNCIA DE UMA BURGUESIA NEGRA EM ANGOLA E A RESISTÊNCIA DE VAVÓ XÍXI, OUTRORA CECÍLIA DE BASTOS FERREIRA

    Marco Antônio Fully
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13074
  • NEORREALISMO E O ANÚNCIO DA PALAVRA-AÇÃO

    Mariana Custódio
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13075
  • CORPO E RESISTÊNCIA: MARIA TERESA HORTA E A POÉTICA DO “BASTA!”

    Maximiliano Torres
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13076
  • “Da mágoa, sem reméDio, De perDer-te”: o luto como trabalho Da linguagem na poesia De camões

    Monica Genelhu Fagundes
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13077
  • A CONDENAÇÃO DE NGUNGA E A APOTEOSE DO MANIQUEÍSMO: UMA INTERPRETAÇÃO DO ELOGIO DA IGNORÂNCIA DE PEPETELA

    Pedro Paulo Machado Nascimento Gloria
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13078
  • CORPO, MELANCOLIA E ESGOTAMENTO NA POESIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA

    Tatiana Pequeno
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13079
  • AS DOBRAS DO TEMPO E O JOGO: AGUSTINA BESSALUÍS E VIEIRA DA SILVA

    Viviane Vasconcelos
    DOI: https://doi.org/10.35520/diadorim.2017.v19n1a13080