Psicologia do candomblé de Angola: a terapêutica das folhas nos cuidados em saúde mental
Psychology of Angola’s candomblé: the therapeutics of the leaves in mental health care
DOI:
https://doi.org/10.60001/ricla.v34.n1.5Resumo
Desde o processo de colonização, no decorrer do século 20, os modos de cuidados em saúde mental provenientes das culturas ocidentais se tornam hegemônicos no Brasil. Tal processo foi impulsionado pelo racismo estrutural presente nas políticas de embranquecimento e pela propagação de uma monoepisteme pelas universidades, e direcionou-se ao apagamento da herança
cultural africana. O artigo destaca a pluriepistemologia dos modos de cuidados em saúde mental praticados há séculos no território brasileiro pelos povos tradicionais de matrizes africanas e ainda hoje preservados nas casas de candomblé, compondo psicologia firmemente enraizada na cultura brasileira. Trata especificamente do uso terapêutico das folhas nos cuidados em saúde mental desde uma epistemologia afrorreferenciada. Os conhecimentos foram construídos de forma colaborativa com a comunidade Tumba Nzo A’na Nzambi, utilizando-se o método construtivo-interpretativo, e, de forma híbrida, a orientação em campo também foi baseada na corporeidade dos participantes e do pesquisador. Como forma de gerar um diálogo entre os saberes tradicionais e o meio acadêmico foram realizados sistemas de inteligibilidades desde a antropologia sensorial de Ingold e a etnopsicologia de Tobie Nathan.
Palavras-chave: Etnopsicologia. Candomblé. Antropologia sensorial.
Abstract
Since the colonization process, during the 20th century, mental health care methods originating from western cultures have become hegemonic in Brazil. This process was driven by the structural racism present in whitening policies and the propagation of a monoepisteme throughout universities, and was aimed at erasing African cultural heritage. This article highlights the multi-epistemology of mental health care methods practiced for centuries in Brazilian territory by traditional people of African origin and still preserved today in candomblé houses, composing a psychology firmly rooted in Brazilian culture. Specifically, the therapeutic use of leaves in mental health care is addressed from an Afro-referenced epistemology. The knowledge was construct collaboratively with the Tumba Nzo A’na Nzambi community, using the constructive-interpretive method, and in a hybrid way, the field guidance was also based on the corporeality of the participants and the researcher. As a way of generating a dialogue between traditional knowledge and academia, systems of intelligibility were created from Ingold's sensorial anthropology and Tobie Nathan's ethnopsychology.
Keywords: Ethnopsychology. Candomblé. Sensory anthropology.
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