As farinheiras de Quissamã – lugar de memória, cultura e afeto: a farinhada como tradição cultural e estratégia de sobrevivência

The farinheiras from Quissamã – a place of memory, culture, and care: the cassava flour as cultural tradition and strategy of survival

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ricla.v34.n1.10

Resumo

Este artigo analisa conceitos relacionados à questão da identidade e diferença e de que forma eles surgem no circuito das mulheres farinheiras, considerando as casas de farinha o espaço de preservação dos saberes tradicionais e destacando o protagonismo ecofeminino na atividade de transmudação da mandioca. Investigamos os processos de construção, reprodução e rejeição das identidades dessas mulheres e como são atravessadas por diversas questões políticas e sociais. Para compreender os significados da memória ancestral do alimento no campo e na cidade, precisamos entender que esse se dá a partir de uma construção ligada à memória coletiva do alimento. A casa de farinha, além de garantir a renda, é espaço que viabiliza o acesso aos direitos culturais, contribuindo para a preservação da memória, da identidade e das diferenças que não estão essencialmente no sujeito, mas são produto da história e, consequentemente, estão presentes na vida dessas mulheres e em sua comunidade quando plantam saberes ancestrais e colhem a ancestralidade dos saberes tradicionais no município de Quissamã, no estado do Rio de Janeiro.

Palavras-chave: Cultura. Identidade. Alimento ancestral. Memória. Sustentabilidade.

Abstract
This article analyzes concepts about the issue of identity and difference and how they arise in the cycle of the farinheiras women  considering the casas de farinha as the place of traditional knowledge preservation, highlighting the eco-feminine protagonism in the cassava transmutation process. We investigate the processes of construction, reproduction and rejection of the identity of these women and how they are crossed by several political and social issues. To understand the meanings of ancestral memory from the food in the countryside and in the city, we must understand that it occurs from a construction connected to a collective food memory. The casa de farinha, besides insuring income, is a space that enables access to cultural rights, contributing to preservation of memory, identity and the differences that are not essentially in the individual, it is the outcome of history and, consequently, are present in the life of these women and their community when they plant ancestral knowledge and harvest the ancestry of traditional knowledge from the municipality of Quissamã, in the state of Rio de Janeiro.

Keywords: Culture. Identity. Ancestral food. Memory. Sustainability. 

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Biografia do Autor

Sonia Souza, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutoranda do Programa Eicos da UFRJ, mestrado em Educação pela UFF . Historiada com experiência como parecerista em projetos sociais pela Petrobras, municípios do Rio de Janeiro e Angra dos Reis. Minha trajetória reflete um compromisso com a pesquisa e a aplicação prática de conhecimento em prol da cultura popular.

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Publicado

30.12.2024