O terreiro como território sociopolítico e de acolhimento: patrimônio imaterial e material civilizatório da memória ancestral

The terreiro as a sociopolitical territory and refuge: imaterial and material civil heritage of ancestral memory

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ricla.v34.n2.12

Resumo

As reflexões que se seguem têm por objetivo traçar considerações acerca dos terreiros de cultura e religiosidade de matrizes africanas como espaço sociopolítico e de reconstrução/renascimento ontológico. Parte-se da cosmopercepção africana iorubá, de que esse território se configura como um dos muitos espaços de resistência e também de real preservação da memória e dos saberes ancestrais. Interessa-nos apresentar de maneira sucinta, a concepção do terreiro como um lugar de reafirmação identitária, da busca pela cura, mas também onde se pode realizar o exercício da liberdade e da diversidade. O fio condutor para a construção dessa análise seguiu a perspectiva da interlocução entre categorias que neste ensaio assumem determinações centrais, nos permitindo abranger o tema proposto, racismo cultural religioso, a partir da concepção de Estado, patrimônio, memória ancestral africana e terreiro. A
intersecção entre as categorias citadas se justifica, uma vez que elas apresentam a capilaridade necessária para a compreensão das condições históricas, culturais, sociais e econômicas que permeiam a sociedade. Compreendemos o terreiro como lugar contraditório, mas também como espaço de organização, transformação e de resistência ao racismo cultural religioso, objetivando a efetivação de direitos e pelo bem-viver.

Palavras-chave: Patrimônio. Memória ancestral africana e terreiro. Racismo cultural religioso. Emancipação humana.

Abstract

The following reflections aim to outline considerations about African culture and religiosity terreiros as a socio-political space and a space for ontological reconstruction/rebirth. We start from the Yoruba African cosmoperception that this territory is one of the many spaces of resistance, and also of real preservation of ancestral memory and knowledge. We are interested in briefly presenting the concept of the terreiro as a place for reaffirming identity, of the search for “healing,” but also where freedom and diversity can be
exercised. The guiding principle for the construction of this analysis followed the perspective of a dialogue between categories that in this essay assume central determinations, allowing us to cover the proposed theme, religious cultural racism, from the conception of State, heritage, African ancestral memory and terreiro. The intersection between the aforementioned categories is justified since they have the necessary capillarity to understand the historical, cultural, social, and economic conditions that permeate society. We  understand the terreiro as a contradictory place, but also as a space for organization, transformation, and resistance to religious cultural racism, with the aim of making rights effective and for good living.

Keywords: Heritage. African ancestral memory and terreiro. Religious cultural racism. Human emancipation.

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Biografia do Autor

Sheila Dias, Universidade Federal de Ouro Preto

Candomblecista doutora, mestre e assistente social, pela Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora adjunta do curso de serviço social da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Integrou a gestão "Aqui se respira uta!" da Abepss, no biênio 2021-2022. Grupo de Estudos e Pesquisa Trabalho, Orçamento Público de Pessoal e Serviço Social (2022-atual); Integrante do Proafro/Uerj (2020-atual); Grupo de Estudos Sobre Linguagens, Culturas e Identidades (Gelci), (2012-atual); Neabi-Ufop (2012-atual). Área de atuação: produção de conhecimento; pós-graduação; ações afirmativas; ensino superior; questão étnico-racial e serviço social.

Marlise Vinagre, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Candomblecista e militante dos direitos humanos. Graduação (1975) e mestrado (1990) em serviço social pela pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) e doutorado em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999). Professora associada aposentada (UFRJ) em 2013. Presidente do Cfess (1990-1993). Integrante da Comissão de Formulação do Código de Ética de 1993. Integrou a primeira formação da Coordenação do Grupo Temático de Pesquisa em Serviço Social, Ética e Direitos Humanos da Abepss (2011-2012). Pesquisadora com produção teórica nas áreas de ética, ética profissional, direitos humanos, diversidade humana, raça, etnia, gênero e sexualidade.

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Publicado

27.02.2025