Quantificação do traço
uma análise paleográfica computacional de um códice em língua geral sob a perspectiva da paleografia digital
DOI:
https://doi.org/10.24206/lh.v12i1.70120Palavras-chave:
Paleografia Digital, Filologia, Língua Geral Amazônica, Escrita colonial, Corpora históricosResumo
Este artigo apresenta um protocolo de análise paleográfica computacional aplicado ao Códice 69, manuscrito setecentista que reúne uma gramática e um dicionário da Língua Geral Amazônica. A proposta parte de uma premissa simples, mas decisiva: antes de descrever a língua, é preciso compreender o gesto que a fixa no papel. Combinando observação paleográfica tradicional e procedimentos de visão computacional em Python, mensuramos traços como inclinação, módulo, espessura, espaçamento e ligaduras. O tratamento quantitativo desses dados — sempre acompanhado de validação filológica — permitiu distinguir dois scriptores e associar seus padrões gráficos a formações caligráficas distintas. Ao demonstrar que características tradicionalmente atribuídas à “sensibilidade do olhar” podem ser formalizadas sem reduzir a complexidade do manuscrito, argumentamos que a Paleografia Digital não automatiza a leitura: ela a torna demonstrável. O método reforça a necessidade de controlar variáveis materiais na constituição de corpora históricos, especialmente no contexto missionário amazônico, em que a escrita é também um espaço de contato cultural.
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