Escrever sobre Alice ou recriá-la pela sua escrita:

uma leitura de O fotógrafo e a rapariga, de Mário Cláudio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n01a68070

Resumo

Este artigo tem por objetivo elaborar uma leitura crítica do romance O Fotógrafo e a Rapariga (2015), do escritor português Mário Cláudio, levando em conta, na narrativa, a construção da personagem Alice Liddell através de procedimentos que envolvem a questão da memória – o que lhe permite (re)escrever, no romance, a sua própria história. Para isso, esmiuçaremos o elaborado jogo narrativo e intertextual que atravessa a primeira parte do romance: uma voz narrativa cindida entre uma performance autoral representada, num primeiro momento, por uma relato atravessado pelo luto diante da morte de seu marido. Para analisar a narrativa, que é tensionada, ora pelo autobiográfico, ora pelo biográfico, de Alice, recorremos a suas memórias, seus sonhos, seus devaneios, suas narrativas e a atualização de outros textos trazidos como recurso intertextual como modo de se lidar com a própria solidão, tecendo e destecendo uma série de histórias que atravessaram a cultura portuguesa e outras culturas. O objetivo é demonstrar como a obra de Mário Cláudio propõe um diálogo não somente com a história do artista eleito para ser biografado, mas com outros artistas. Cremos poder assim contribuir para os estudos em torno da já vasta obra crítica sobre Mário Cláudio.

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Biografia do Autor

Gabriel Dottling Dias, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em Literaturas Africanas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participa do grupo de pesquisa Cinegrafias de Angola, Cabo Verde e Guiné- -Bissau: Literatura, Cinema e Afeto, coordenado pela Profª Doutora Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco

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Publicado

2025-12-25

Edição

Seção

Em torno da obra de Mário Cláudio: uma celebração da vida literária