Em torno da obra de Mário Cláudio: "A hora das crianças"
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n01a68223Resumo
Mário Cláudio tem mais de meio século de vida dedicado à literatura. É reconhecido no âmbito artístico, sobretudo o das Letras, mas também fora dele, como o escritor profícuo de uma obra que contempla prosa, poesia, drama, trabalhos monográficos e mesmo peças musicais. Quanto à escrita de narrativas, de modo especial, o autor costuma visitar o diálogo da literatura com outras formas de arte e com ela mesma, as questões históricas – especialmente relativas a lugares, personalidades e acontecimentos cujo pano de fundo é o Norte de Portugal –, bem como as relações estabelecidas entre o escritor e sua linhagem, seja ela familiar, geográfica ou artística. Importa salientar o rebuscamento da linguagem marioclaudiana, que exige de seu interlocutor uma leitura atenta e comprometida com os jogos de escrita. Neste artigo, recuperam-se três narrativas de autoria de Mário Cláudio voltadas ao público infantojuvenil: Olga e Cláudio (1984), A bruxa, o poeta e o anjo (1996) e Nero e Nina (2012). Nesse sentido, observa-se que, ao somar à roda de seus leitores um público em formação, o autor o faz em coerência com seu projeto artístico, estendendo ao pequeno legente o convite ao trabalho com a linguagem, aos jogos com a história, à brincadeira do faz-de-conta e a fantasiar conversas improváveis – questões historiográficas, autorreferenciais e dialógicas a que as crianças estão (espantosamente) acostumadas. Portanto, recorrendo, entre outros aparatos teórico-críticos, às ideias de Walter Benjamin nas narrativas radiofônicas reunidas em A hora das crianças (2015), este texto saltita pelas obras que compõem seu corpus para celebrar a vida literária de Mário Cláudio a partir de seu exercício de escrever a/para a infância.
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