Crioulidade, Lusotropicalismo e a Identidade Nacional Pós-Independência de Eduardo Agualusa:
uma Revisão Bibliográfica de Nação Crioula
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n02a68604Resumo
Apesar da grande popularidade de José Eduardo Agualusa no Brasil e sua considerável circulação no cenário internacional, o autor constantemente enfrenta sérios questionamentos a respeito de suas concepções da identidade angolana, em especial sendo colocado como um dos autores que trabalham por uma revitalização do conceito de crioulidade, como o concebia Mário António de Oliveira, que tem por base as mesmas problemáticas do lusotropicalismo gilbertiano no Brasil. Nesse sentido, um de seus romances mais populares, Nação Crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes, parece enfrentar tais críticas de forma mais direta, de maneira que parece-nos mais que pertinente, no contexto de 50 anos das independências dos países africanos de língua oficial portuguesa, orientar uma leitura da produção bibliográfica desenvolvida ao redor do romance, a fim de esclarecermos como as pesquisas e críticas da área têm pensado o romance em face um ideário conceptual tão historicamente problemático quanto o lusotropicalismo e sua variante angolana da crioulidade. Mais do que isso, pretendemos segmentar as leituras sobre romance de modo a pensar o privilégio que certos escopos, metodologias e abordagens carregam nas análises, apontando certas implicações de cunho ético para com o estado da crítica atual. O trabalho, portanto, formula-se como uma indagação não tanto sobre como Nação Crioula, ou Agualusa, inserem a questão da identidade nacional no pós-independência, mas como a produção bibliográfica subsequente ao romance lê a problemática da crioulidade em torno do autor e das diversas realidades que a obra se coloca.
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