Sob a luz do Farol: de Virginia Woolf à Lídia Jorge
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n01a69096Resumo
A partir da imagem austera e sólida de faróis encontrados nos romances To the lighthouse (1927), da britânica Virginia Woolf, e O vale da paixão (1998), da portuguesa Lídia Jorge, buscaremos pensar diferentes formas de contar o tempo e como distintos procedimentos narrativos refletem processos tão internos a cada personagem e narrador. Busco investigar o que Lídia Jorge vai dizer sobre o novo fazer literário após os movimentos modernistas, e também na contemporaneidade que “o romance saltou para dentro dos seres e acompanhou as trajectórias invisíveis e impalpáveis” (Jorge, 1999, p. 157). Elejo uma possível rota para pensar os romances, recorrendo a cenários que estão idealmente ligados a certas ideias de fixidez e perenidade, como a casa e o farol, para explorar como as ações passam a ocupar um segundo, ou terceiro plano de interesse e o espaço da consciência assume o protagonismo da cena refletindo-se sobre esses mesmos objetos. Pensamos assim como mente, memória e matéria estão profundamente interligados, representando uma virada radical do fazer literário e do entendimento de sujeito a partir do final do século XIX, alinhando-se cada vez mais com diversas subjetividades e com suas experiências ao invés de tentar necessariamente dar conta de uma obrigação verossímil, que pode ser conferida através desse farol que se põe como múltiplo, menos em sua materialidade e mais em como se dá por percebido.
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