De trapos e ossos:
mãos em negativo em Debaixo da nossa pele, de Joaquim Arena
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n01a69112Resumo
Sob a pena de Joaquim Arena, Debaixo da nossa pele: uma viagem (2017) empreende uma jornada ao interior de Portugal, subindo o rio Sado seguindo os rastros de escravos das lavouras de arroz, que chegaram ao país ao longo dos séculos. Esta viagem revela diversos caminhos ao lançar suas luzes nas histórias de personagens negras que figuraram nas cortes europeias, nas artes, nas guerras e na política e ainda evidenciando as relações que surgem dos trânsitos mais recentes de cabo-verdianos ao sair das ex-colônias portuguesas e que atualmente, ocupam o lugar de imigrantes indocumentados e indesejados no continente europeu. Em busca dos vestígios desse Portugal outro, invisibilizado e silenciado pela história, é por onde a obra traça seus caminhos. Nesse sentido, esta comunicação se debruçará sobre os trânsitos entre literatura e outras artes, e nos caminhos empreendidos pelo narrador-trapeiro na busca do pó da História da Europa Ocidental. Para dar suporte a análise que este artigo se propõe, autores como Walter Benjamin, George Didi-Huberman, Jacques Derrida e Aby Warburg serão de fundamental valia.
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