A utilização do silêncio como deslocamento das convenções nos filmes de terror
The use of silence as a displacement of conventions in horror films
DOI:
https://doi.org/10.61358/policromias.2026.v11n1.66422Palavras-chave:
Terror, Silêncio, Convenção, Regimes da arte, Modelos de eficáciaResumo
Caracterizado por estrondos e música dissonante, o gênero cinematográfico do terror tradicionalmente utiliza sons de baixa intensidade ou silêncio somente como antecipação do efeito de jump scare. Em filmes mais recentes, contudo, nota-se maior presença do silêncio, inclusive como tema central do enredo. Buscando identificar como o silêncio pode estar deslocando as convenções deste gênero, realizou-se uma análise audiovisual dos filmes “Um lugar silencioso” (2018) e “Hush” (2016), tomando como referência as formas de representação do silêncio cinematográfico, identificadas por Pires e Villa. Com base na análise realizada, recorremos aos conceitos propostos por Jacques Rancière, relacionados aos regimes da arte, buscando identificar o modelo de eficácia que prevalece em cada um destes filmes: a eficácia de um efeito ou a eficácia de uma suspensão, modelo este que perturba as convenções do gênero por renunciar à certeza de causar um efeito determinado. Identificamos o primeiro modelo em “Um lugar silencioso” e o segundo em “Hush”. Ainda não é possível afirmar, contudo, se o que está em curso é uma transformação do gênero como um todo.
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