A TEMÁTICA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EM EVENTOS CIENTÍFICOS DA ÁREA DE BIBLIOTECONOMIA: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA A PARTIR DOS ANAIS DO CBBD E SNBU
THE THEME OF DISTANCE EDUCATION IN SCIENTIFIC EVENTS IN THE FIELD OF LIBRARIANSHIP: A BIBLIOMETRIC ANALYSIS BASED ON THE PROCEEDINGS OF CBBD AND SNBU
Ana Paula Lopes da Silva
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3791-0572
Doutora em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Brasil.
Bibliotecária da UNIVASF, Brasil.
E-mail: paula.lopess@univasf.edu.br
Jorge Luis Cavalcanti Ramos
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6099-6861
Doutor em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Professor do Colegiado de Engenharia de Computação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Brasil.
E-mail: jorge.cavalcanti@univasf.edu.br
Francisco Ricardo Duarte
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9102-8273
Doutor em Difusão do Conhecimento na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.
Professor do Colegiado de Engenharia de Produção na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Brasil.
E-mail: ricardo.duarte@univasf.edu.br
Natanael Vitor Sobral
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2410-494X
Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.
Professor do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Docente Permanente do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFPE, Brasil.
E-mail: natanael.sobral@ufpe.br
RESUMO: A Educação a Distância tem despertado crescente interesse no campo da Biblioteconomia, especialmente no que se refere à atuação das bibliotecas universitárias diante das especificidades dessa modalidade de ensino. Os eventos científicos da área constituem espaços privilegiados para a socialização dessas experiências, pois valorizam a produção técnico-profissional aplicada, frequentemente marginalizada por abordagens centradas exclusivamente em periódicos acadêmicos. Nesse contexto, o presente estudo analisa a produção de trabalhos sobre Educação a Distância divulgados nos anais do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação e do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, com o intuito de delinear o perfil dessas publicações, identificando sua distribuição por ano, as instituições responsáveis, os principais autores e as tendências temáticas. A metodologia baseou-se em uma análise bibliométrica dos trabalhos publicados entre 2013 e 2023, perfazendo um corpus de 54 documentos. Como resultados, verifica-se que a temática tem sido pouco discutida e apresenta decréscimo, considerando-se as fontes delimitadas para análise. A região Sudeste e a Universidade Federal de Minas Gerais, representada pela autora Maria Elizabeth Oliveira Costa, destacam-se quanto à produção, assim como as pesquisas referentes a ações de educação de usuários das bibliotecas por meio de cursos a distância. Ademais, o foco das discussões concentra-se no uso de ferramentas de Educação a Distância para melhorar ou criar serviços nas bibliotecas. Conclui-se que é vital a continuidade de eixos temáticos voltados ao tema nos eventos científicos e profissionais, de modo a despertar o interesse pela produção na área e desencadear práticas institucionais de apoio à Educação a Distância.
PALAVRAS-CHAVE: aprendizagem a distância; Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias; Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação; bibliometria; bibliotecas.
ABSTRACT: Distance Education has sparked growing interest in the field of Library Science, particularly regarding the role of university libraries in addressing the specific demands of this educational modality. Scientific events in the field serve as privileged spaces for sharing such experiences, highlighting applied technical-professional production, which is often marginalized by approaches focused solely on academic journals. This study analyzes the body of work on Distance Education presented in the proceedings of the Brazilian Congress of Library Science and Documentation and the National Seminar of University Libraries, aiming to outline the profile of these publications by identifying their distribution by year, responsible institutions, main authors, and thematic trends. The methodology was based on a bibliometric analysis of papers published between 2013 and 2023, resulting in a corpus of 54 documents. The findings reveal that the topic has been under-discussed and is in decline within the analyzed sources. The Southeast region and the Federal University of Minas Gerais, represented by author Maria Elizabeth Oliveira Costa, stand out in terms of production, as well as studies related to user education in libraries through distance learning courses. Moreover, discussions primarily focus on using Distance Education tools to enhance or create library services. The study concludes that it is vital to maintain thematic tracks on Distance Education in scientific and professional events to encourage interest, foster scholarly output, and promote institutional practices that support Distance Education.
Keywords: distance learning; National Seminar of University Libraries; Brazilian Congress of Librarianship and Documentation; bibliometrics; libraries.
1 INTRODUÇÃO
Por meio das tecnologias de aprendizagem, a Educação a Distância (EaD) tem se desenvolvido de forma dinâmica, exigindo das instituições de ensino, especialmente universidades e institutos federais, adaptações organizacionais capazes de atender às especificidades dessa modalidade educacional. Esse cenário repercute diretamente no funcionamento das bibliotecas, unidades de informação responsáveis por oferecer suporte informacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Como resultado, intensifica-se o interesse por estudos que investiguem o impacto das bibliotecas no processo de ensino-aprendizagem na EaD, bem como o papel do bibliotecário no atendimento e na prestação de serviços a esse público, o que demanda uma reconfiguração do papel dessas unidades no contexto da educação mediada por tecnologias (Sena; Chagas, 2015).
Essa expansão impõe desafios significativos, exigindo reflexões acerca da adequação dos serviços bibliotecários às demandas emergentes da EaD. Nesse contexto, eventos da área despontam como espaços privilegiados para o compartilhamento de experiências, a troca de saberes e a disseminação de práticas inovadoras. A cultura da ciência biblioteconômica valoriza a comunicação das práticas profissionais e científicas de seus agentes em congressos e encontros especializados, que se consolidam como ambientes fundamentais para a socialização do conhecimento e o aprimoramento profissional.
Entre os eventos de maior relevância no que tange à socialização de experiências empíricas, destacam-se o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD) e o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Esses eventos configuram-se como ecossistemas voltados à inovação, à integração entre profissionais e instituições e ao fortalecimento de discussões aplicadas no campo. Reúnem bibliotecários, pesquisadores, empresas e organizações que atuam no setor, promovendo o intercâmbio de soluções tecnológicas, plataformas digitais e boas práticas em serviços de bibliotecas. A temática da EaD tem sido recorrente nesses espaços, impulsionada pelo crescimento acelerado dessa modalidade nas instituições em que atuam os participantes desses encontros.
Diferentemente do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib), promovido pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB), que se concentra majoritariamente na comunicação de pesquisas acadêmicas no âmbito da Ciência da Informação (CI) (ANCIB, 2023), o CBBD e o SNBU priorizam a apresentação de experiências práticas desenvolvidas diretamente por bibliotecários em suas instituições. Por essa razão, ambos os eventos foram selecionados como objeto deste estudo, considerando sua expressiva representatividade na produção técnico-profissional da área, particularmente no que se refere às demandas da EaD.
Observa-se, ademais, que estudos bibliométricos frequentemente privilegiam publicações periódicas e os anais do Enancib como principais fontes de análise da produção científica do campo. Tal prática, embora válida, pode reforçar a percepção de que apenas esses veículos representam a totalidade do conhecimento produzido. No entanto, é necessário reconhecer e valorizar a produção de natureza aplicada, desenvolvida por profissionais em atuação, sobretudo em temáticas como a EaD, nas quais a prática cotidiana é determinante para a inovação dos serviços informacionais.
Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar a produção de trabalhos sobre EaD divulgados nos anais do CBBD e do SNBU, com o intuito de delinear o perfil dessas publicações, identificando sua distribuição por ano, instituições responsáveis, principais autores e tendências temáticas. Ademais, busca-se refletir sobre os resultados encontrados, com ênfase no papel das bibliotecas universitárias (BU), reconhecidas como estruturas fundamentais para o suporte, o desenvolvimento e a efetividade das atividades educativas na EaD.
2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SEUS REFLEXOS NA BIBLIOTECONOMIA
Observa-se, cada vez mais, a expansão da EaD no âmbito das Instituições de Ensino Superior (IES), alcançando também outros níveis educacionais. Segundo o Censo da Educação Superior 2023, o aumento no número de ingressantes em cursos de graduação foi impulsionado, em grande parte, pela modalidade a distância, que cresceu 6,9% entre 2022 e 2023, enquanto os cursos presenciais registraram um acréscimo de apenas 1,4%. As matrículas na EaD chegaram a quase 5 milhões em 2023, representando 49,2% do total de matrículas de graduação no país (Brasil, 2024a). Além disso, o Censo da Educação a Distância 2022, realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), demonstra que a EaD está presente em diversas instituições e modelos de curso, abrangendo bacharelados, licenciaturas, tecnólogos e especializações (ABED, 2024).
No que diz respeito à expansão da EaD em âmbito geral, Fialho, Barros e Rangel (2019) destacam a necessidade de pesquisas que analisem e discutam a regulamentação dessa modalidade, levando em conta sua abrangência e qualidade pedagógica. Entre os critérios regulatórios essenciais para garantir a qualidade do ensino a distância, destaca-se a estruturação adequada dos cursos, que inclui a personalização e o planejamento eficaz de conteúdos e atividades. A oferta de cursos na EaD exige ainda adaptações na infraestrutura física, tecnológica e de pessoal das instituições, afetando diferentes setores e atividades. O desenvolvimento e a ampliação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), bibliotecas virtuais, serviços de webconferência e capacitações em recursos digitais para as equipes acadêmicas são fundamentais para esse modelo de ensino.
Nesse contexto, as bibliotecas desempenham papel essencial, não apenas no fornecimento de recursos informacionais, mas também na prestação de serviços e no apoio ao aprendizado dos estudantes da EaD. Conforme ressaltam Sena e Chagas (2015, p. 166), “essas instituições devem servir como elemento de apoio aos cursos ofertados, contando com acervo atualizado, abrangente e compatível com os conteúdos ensinados, em diferentes mídias”. Os estudantes da EaD são usuários reais e potenciais das Bibliotecas Universitárias (BU) e de seus recursos informacionais, tornando essencial o planejamento de produtos e serviços específicos para esse público.
Entretanto, o estudo de Costa (2020) aponta uma subutilização das BU por parte dos estudantes da EaD, evidenciada pela ausência de bibliotecários nas equipes dessa modalidade e pela falta de políticas específicas para esse público dentro das bibliotecas. Além disso, a maioria das unidades de informação não dispõe de setores ou profissionais dedicados ao atendimento dos estudantes da EaD, o que revela uma lacuna a ser preenchida pelas bibliotecas e bibliotecários. Nesse sentido, o aperfeiçoamento de técnicas de gerenciamento e controle da informação pode fortalecer a atuação dessas instituições no suporte à EaD (Sena; Chagas, 2015).
Em seus estudos, Nurse, Baker e Gambles (2018) identificam relação direta entre o uso da biblioteca e o desempenho acadêmico dos estudantes da EaD. A partir de pesquisa realizada na Open University (OU), uma das principais instituições de ensino superior a distância do Reino Unido, os autores constataram que alunos com notas mais altas acessam um número maior de recursos on-line disponibilizados pela biblioteca, o que contribui para o desenvolvimento de competências informacionais e digitais.
Zhou (2022) reforça que a tecnologia da informação e os serviços digitais desempenham papel crucial no ensino a distância, algo que se tornou ainda mais evidente durante a pandemia de COVID-19, período em que as IES precisaram adotar atividades remotas. Nesse cenário, as bibliotecas aceleraram sua transição digital, ampliando o uso de tecnologias para atender às necessidades dos usuários. O estudo revelou que, durante as restrições pandêmicas, os alunos recorreram a diversos recursos multimeios e livros digitais, enquanto os professores buscaram serviços de apoio à pesquisa e acesso a bases de dados, evidenciando o papel essencial das bibliotecas na EaD e na promoção da autoaprendizagem.
No entanto, Sena e Prado (2023) ressaltam que, no Brasil, durante a pandemia, muitas instituições públicas de informação, cultura, arte e memória, incluindo as bibliotecas, não estavam estruturalmente preparadas para atuar de forma remota e implementar o trabalho virtual, evidenciando a precariedade dessas instituições nesse aspecto. Esse cenário gerou a necessidade de ações emergenciais para reduzir essa lacuna e fortalecer a atuação de bibliotecas e bibliotecários. Entre essas iniciativas, destacam-se a oferta de cursos a distância e a realização de eventos remotos, promovidos por organizações como a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), que desempenharam papel fundamental no direcionamento das bibliotecas durante o período de restrições e abriram caminhos para uma atuação mais estruturada com a EaD.
A literatura sugere algumas diretrizes para que as bibliotecas apoiem a EaD, entre as quais se destacam: implementação de setores de apoio ao aluno; criação de centros de referência para aprendizagem a distância; disponibilização de canais de interação com bibliotecários; oferta de serviços educacionais e informacionais on-line em formatos acessíveis; programas de competências informacionais e digitais; serviços de empréstimo de materiais; ampliação do horário de atendimento; divulgação da biblioteca e de seus serviços voltados ao público da EaD; e desenvolvimento de políticas institucionais e documentos de gestão com ações específicas para essa modalidade (Costa, 2020; Nascimento; Sá, 2016).
Para a implementação dessas ações, é fundamental um estudo aprofundado do público da EaD e de suas necessidades informacionais. Isso representa um desafio para as unidades de informação, que precisam reavaliar suas formas de atendimento, adaptar serviços já existentes e criar produtos e serviços inovadores. Além disso, o compartilhamento e a discussão desse tema em espaços de produção de conhecimento profissional e científico são essenciais para a consolidação de boas práticas, possibilitando que bibliotecários conheçam e adotem iniciativas bem-sucedidas de outras instituições, fortalecendo, assim, a atuação das bibliotecas na Educação a Distância.
O campo da Biblioteconomia também tem adotado a modalidade a distância, ampliando a formação de profissionais por meio de cursos EaD. O desenvolvimento dessa modalidade na área foi impulsionado, principalmente, pela demanda gerada pela Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, que trata da universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país, criando a necessidade de novos bibliotecários para atuarem nas bibliotecas escolares. Além disso, havia a preocupação em preparar o profissional para atender às novas exigências do mercado, qualificando-o para a mediação de atividades por meio das tecnologias, com a flexibilidade que o ensino a distância oferece (Apóstolo; Moro; Alencar, 2021).
Apóstolo, Moro e Alencar (2021) afirmam que os cursos de Biblioteconomia na modalidade a distância começaram de forma tímida em 2004, permanecendo nesse patamar até 2014, quando se observou uma evolução significativa até 2019. Nesse processo, as instituições privadas lideraram a oferta de cursos, com funcionamento já nos anos de 2013 e 2014. Russo (2016) destaca que a Universidade de Caxias do Sul foi a instituição pioneira ao oferecer o Bacharelado em Biblioteconomia na modalidade EaD, em 2012. Seguiram-se, posteriormente, a Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), que iniciou em 2014, e a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ), em 2016.
No contexto das Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES), o desenvolvimento da EaD foi viabilizado por meio de cooperação técnica entre o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e os Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB), em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Essa parceria foi formalizada em 2009, mas somente em 2018 foi divulgado o documento de Adesão ao Curso Nacional de Bacharelado em Biblioteconomia EaD, com o objetivo de selecionar propostas de instituições que já ofereciam o curso na modalidade presencial. As propostas foram apresentadas por diversas universidades federais, e a Universidade Federal de Sergipe (UFS) foi a primeira a iniciar o curso em 2020 (Apóstolo; Moro; Alencar, 2021).
Conforme dados do Sistema e-MEC, atualizados em março de 2025, há 35 cursos de Bacharelado em Biblioteconomia na modalidade EaD registrados no Brasil, oferecidos por instituições públicas e privadas, dos quais 18 ainda constam como “não iniciados”. Esses números evidenciam a consolidação gradual da EaD na formação em Biblioteconomia, revelando não apenas o interesse crescente pela ampliação do acesso à educação superior na área, mas também a coexistência entre os formatos presencial e a distância. Tal cenário amplia as possibilidades de escolha dos discentes, respeitando diferentes contextos sociogeográficos e perfis de aprendizagem, além de refletir a capacidade adaptativa das instituições diante das demandas contemporâneas por flexibilidade e inclusão no ensino superior.
3 EVENTOS CIENTÍFICOS COMO FONTE DE INFORMAÇÃO E PESQUISA
A produção científica, nas diversas áreas do conhecimento, somente pode ser reconhecida, compreendida, validada e aplicada quando devidamente comunicada. O processo de comunicação exerce papel essencial na dinâmica da evolução científica, ao viabilizar a construção de novos saberes e ao consagrar autores, instituições e tendências de publicação. Nesse cenário, os eventos científicos despontam como canais estratégicos para a disseminação do conhecimento, proporcionando visibilidade e diálogo entre pares.
Pinto et al. (2020) destacam que os primeiros eventos científicos (Scientific Meetings), no contexto da Ciência Moderna, teriam ocorrido simultaneamente à criação da Royal Society, na Inglaterra, e da Accademia del Cimento, na Itália, no século XVII. Desde então, esses encontros consolidaram-se como componentes estruturantes do avanço científico, sobretudo com a institucionalização das primeiras sociedades científicas. Tais eventos passaram a constituir espaços privilegiados para a troca de ideias entre pesquisadores, discussões políticas, formulação de novas agendas e definição de objetos e métodos de investigação. Ademais, são amplamente utilizados como indicadores da atividade científica de países e áreas do conhecimento, dada sua relevância na socialização e na produtividade acadêmica (Pinto et al.; Spiess; Mattedi, 2020).
Sob uma perspectiva sociológica, Spiess e Mattedi (2020) qualificam os eventos científicos como a primeira forma institucionalizada de comunicação científica, descrevendo-os como verdadeiras “feiras cognitivas”. Em sua análise, os autores observam que tais encontros operam como arenas de persuasão e negociação, nas quais são discutidas e, muitas vezes, legitimadas teorias, metodologias e abordagens científicas. Para além da mera apresentação de resultados, os eventos refletem a organização interna das comunidades científicas e funcionam como espaços de hierarquização simbólica, construção de reputações e validação da credibilidade acadêmica. Assim, os pesquisadores, inseridos em uma estrutura social, não apenas compartilham conhecimento, mas também reforçam os valores, normas e práticas predominantes da comunidade científica.
Ainda nessa abordagem, destaca-se a exclusão de determinados temas e a marginalização de grupos periféricos, dado que os eventos mais prestigiados tendem a concentrar-se em centros tradicionais de excelência acadêmica, nos quais atuam os autores mais consagrados. Tal concentração contribui para a reprodução de hierarquias epistemológicas e institucionais, limitando, em muitos casos, o acesso e a visibilidade de pesquisadores vinculados a instituições menos reconhecidas no cenário científico.
Os eventos científicos constituem uma rede de transformações que agrega inscrições ao mundo por meio de relações híbridas. Mobilizam e articulam uma grande quantidade de entidades que participam ativamente da circulação dos fatos científicos. Reúnem elementos orais, escritos e pictóricos muito heterogêneos como, por exemplo, resumos, financiamentos, argumentos, dados, apresentações em PowerPoint, fotografias, mapas, tabelas, diagramas, filmes, registros acústicos, observações visuais, ilustrações, modelos 3D etc., que participam de maneira ativa, silenciosa e invisível da estabilização dos fatos científicos (Spiess; Mattedi, 2020, p. 460).
Os eventos científicos desempenham papel fundamental na comunicação de pesquisas teóricas e relatos de experiências profissionais em distintas áreas do conhecimento, configurando-se como instrumentos eficazes para a disseminação de informações, tendências e inovações. Além de propiciarem visibilidade à produção acadêmica e técnica, constituem espaços privilegiados de articulação entre teoria e prática. Por sua natureza dinâmica, permitem o contato informal entre pesquisadores, o compartilhamento de saberes e a formação de redes colaborativas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento científico e profissional de um campo específico (Arboit; Bufrem, 2011; Calil Júnior; Corrêa; Spudeit, 2013).
Ao contrário dos canais formais de comunicação científica, como livros e periódicos, cuja publicação demanda maior tempo devido aos trâmites editoriais, os eventos caracterizam-se por ser fontes ágeis, primárias e atualizadas sobre os temas em voga. Desses encontros derivam comunicações orais e pôsteres, posteriormente reunidos em anais, o que amplia o alcance e a permanência das discussões promovidas.
Importa destacar que a comunicação científica em eventos também se submete a mecanismos de avaliação por pares e à arguição pública durante as apresentações orais, assegurando, assim, critérios de qualidade, legitimidade e rigor aos trabalhos apresentados.
Embora este tipo de canal de comunicação científica não seja o mais valorizado na área pelas agências de fomento, ele constitui uma fase intermediária no processo de legitimação do conhecimento científico. Ou seja, os eventos refletem a tendência das pesquisas baseada nos anseios e discussões da comunidade científica durante o evento. Deste modo, constituem-se em uma valiosa fonte de informação para a realização de estudos retrospectivos […] (Arboit; Bufrem, 2011, p. 215).
Para Vahdati et al. (2021), eventos científicos de qualidade oferecem uma base confiável para a avaliação do desempenho acadêmico dos pesquisadores. Os autores organizam os critérios de qualidade desses eventos em três grandes categorias: (i) métricas relacionadas ao evento, que abrangem aspectos como padrões de submissão, local de realização, revisão por pares, avaliação dos trabalhos, publicação em anais ou periódicos, instituições patrocinadoras, programação, entre outros; (ii) métricas relacionadas às pessoas, contemplando os organizadores e a origem dos participantes; e (iii) métricas bibliográficas voltadas à disponibilidade, acessibilidade e análise estatística das publicações apresentadas. Com base nesses critérios, são propostas métricas que auxiliam os pesquisadores na escolha dos eventos mais adequados para a submissão de seus trabalhos.
No campo da Biblioteconomia, destacam-se, em âmbito nacional, o CBBD e o SNBU, ambos reconhecidos como espaços estratégicos para o compartilhamento de pesquisas teóricas e práticas, reunindo profissionais, instituições e estudiosos da área. O CBBD, idealizado pela FEBAB, teve sua primeira edição em 1954, na cidade de Recife (PE), e realizou sua 29ª edição em 2022, em formato on-line. O evento tem como principal objetivo discutir o estado da arte da Biblioteconomia, promovendo a integração entre profissionais atuantes em bibliotecas escolares, públicas, comunitárias, universitárias e especializadas (FEBAB, 2020).
Os trabalhos apresentados ao longo das edições estão disponíveis no repositório da FEBAB, constituindo-se importante fonte de pesquisa. Um dos principais diferenciais do CBBD é a valorização da atuação profissional na sociedade e o incentivo à reflexão crítica sobre temas emergentes e prioritários da área. Como destaca Cardoso (2018, p. 70), “esse evento pode ser entendido como uma vitrine do que de mais relevante tem se produzido na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, revelando suas prioridades, tendências e interesses ao longo dos anos”.
Por sua vez, o SNBU, cuja primeira edição foi promovida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1978, em Niterói (RJ), consolidou-se como o principal evento brasileiro dedicado às bibliotecas universitárias. Seu foco recai sobre a atuação de profissionais, a implementação de projetos e os serviços oferecidos aos usuários das IES. Em 2023, realizou sua 22ª edição, sediada em Florianópolis (SC), com os trabalhos também disponibilizados no repositório da FEBAB.
Embora, em algumas áreas do conhecimento, os eventos científicos não gozem do mesmo prestígio que os periódicos, na Biblioteconomia eles se consolidam como canais centrais de disseminação da produção científica e técnica. Essa centralidade é evidenciada no estudo de Fernandes e Vilan Filho (2022), que analisaram a produção científica decorrente de projetos registrados na Plataforma Lattes entre 2005 e 2019. Os resultados revelaram que a publicação de trabalhos completos em eventos foi o canal mais utilizado, com 338 registros, superando artigos em periódicos (n = 308), dissertações (n = 211), capítulos de livros (n = 171), resumos (n = 140), teses (n = 90) e livros (n = 40).
Dessa forma, os eventos científicos cumprem múltiplas funções essenciais, entre as quais se destacam: o aperfeiçoamento profissional, possibilitado pelo intercâmbio de experiências e boas práticas; a divulgação e a atualização da produção científica da área; e a promoção de redes colaborativas por meio da comunicação informal entre pesquisadores e profissionais, contribuindo, assim, para o fortalecimento do campo.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
No que tange à classificação, esta pesquisa configura-se como descritiva, uma vez que busca expor as características de uma determinada população ou fenômeno (Vergara, 2016), com foco na produção de trabalhos disponibilizados em anais de congressos que abordam temáticas relacionadas à EaD, oriundos de dois eventos de grande relevância na área de Biblioteconomia. O objetivo é constituir um corpus representativo e adequado ao tratamento bibliométrico.
Quanto aos meios, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, por se apoiar em literatura previamente publicada (Vergara, 2016), abrangendo especialmente artigos
científicos indexados, livros, capítulos de livros, trabalhos apresentados em eventos e publicações técnicas de referência na temática investigada. Além disso, o estudo adota a bibliometria como técnica analítica, voltada à investigação de publicações e de suas propriedades, com vistas à mensuração da informação (Gingras, 2016). Para tanto, utilizam-se os metadados dos trabalhos como insumo para a construção de representações gráficas e para a caracterização do perfil da produção científica analisada.
Quanto aos procedimentos, distinguem-se três etapas:
|
Etapa |
Procedimento |
Descrição |
|---|---|---|
|
1 |
Coleta de dados |
Considerando que os eventos selecionados foram o CBBD e o SNBU, realizou-se o levantamento do corpus nos anais disponíveis no Repositório da FEBAB e no Portal do Conhecimento FEBAB. O universo da pesquisa constituiu-se pelas comunicações (trabalhos completos e resumos) apresentadas nesses eventos que versavam sobre EaD. Não foram considerados trabalhos apresentados em eventos paralelos ocorridos no CBBD ou no SNBU. Na coleta, buscaram-se, nos anais, trabalhos que continham os termos “educação a distância”, “ensino a distância” ou “EaD” no título, subtítulo, palavras-chave ou resumo, no período compreendido entre 2013 e 2023, correspondente aos últimos dez anos em que houve realização dos eventos, com o intuito de levantar discussões mais atuais sobre o tema. Como produto dessa etapa, gerou-se um arquivo em planilha de cálculo com informações sobre 54 trabalhos, sendo 33 do SNBU e 21 do CBBD. Ressalta-se que o CBBD e o SNBU ocorrem de forma regular em anos intercalados; dessa forma, as edições do CBBD foram realizadas em 2013, 2015, 2017, 2019 e 2022, e as do SNBU em 2014, 2016, 2018, 2020 (edição remota realizada em 2021 devido ao período de pandemia) e 2023. |
|
2 |
Organização dos dados |
Os registros foram estruturados em campos indicando títulos, autores, instituições, evento, ano, palavras-chave, objetivo, síntese das discussões e das conclusões dos trabalhos. Os campos de texto livre receberam tratamento no software Vantage Point (Zhu; Porter, 2002), com o propósito de extração de palavras relevantes por meio da técnica de Natural Language Processing (NLP). Isso se fez necessário diante do baixo quantitativo de palavras-chave informadas pelos autores. Ademais, o software supramencionado permitiu a padronização do conteúdo dos campos, mitigando problemas de sinonímia, variações entre plural e singular e outras questões linguísticas típicas de estudos bibliométricos. Por fim, foram geradas matrizes, fundamento constitutivo para a posterior criação de grafos. |
|
3 |
Visualização e análise dos dados |
Os gráficos foram gerados na planilha de cálculo e na ferramenta VOSviewer (Van Eck; Waltman, 2010). Assim, as visualizações compõem um repertório diverso que contempla gráficos tradicionais de barras e colunas e grafos que expressam dinâmicas de coocorrência. Quanto à análise, optou-se pela teoria dos grafos, aporte matemático para caracterizar redes, estudando suas propriedades topológicas e o desenvolvimento temporal e espacial de um conjunto de dados coocorrentes (Sousa; Araújo; Miranda, 2017), bem como pela confrontação dos resultados com a literatura do campo, com o propósito de contextualizar os achados e representá-los frente às bibliografias nacionais e internacionais. Para a visualização das redes, foram excluídos os termos “Educação a Distância”, “EaD”, “Ensino a Distância” e “Bibliotecas Universitárias”, a fim de possibilitar a observação da constelação temática que orbita esses eixos, acrescentando relevância e sentido às discussões. |
A partir da execução dos procedimentos metodológicos, foi possível segmentar os resultados conforme os objetivos propostos, possibilitando uma análise bibliométrica da produção identificada. Esse processo contribuiu de forma significativa para a compreensão das formas como a EaD vem se relacionando com as práticas bibliotecárias, oferecendo subsídios para a identificação de experiências, demandas e desafios enfrentados nesse campo. A organização dos dados permitiu, ainda, a caracterização de aspectos específicos da EaD na Biblioteconomia, evidenciando períodos, autores, instituições e temas predominantes observados na literatura cotejada.
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados foram organizados nas seguintes categorias: a) produção por ano; b) autores mais representativos; c) instituições e regiões mais produtivas; e d) rede de coocorrência temática, com base em dados de correlação.
Inicialmente, são apresentados os dados referentes à distribuição temporal das publicações ao longo dos anos. Para essa análise, foi elaborado um gráfico de barras com linha de tendência, possibilitando a visualização do crescimento ou declínio do interesse pela temática ao longo do tempo. Ressalta-se que os resultados dizem respeito exclusivamente ao corpus selecionado para este estudo, podendo variar em outros contextos, conforme será discutido na análise subsequente ao gráfico.
Em síntese, os anos de 2014, 2016 e 2018, anos de realização do SNBU, destacam-se como os períodos de maior produção sobre a temática da EaD. O SNBU, por ser um evento voltado às BU vinculadas às IES, manteve, nesses anos, espaços específicos para a discussão e apresentação de trabalhos relacionados à EaD. Essa presença é observável na estrutura dos eixos temáticos dos respectivos eventos: em 2014, a EaD foi contemplada no eixo “Tecnologia”, tópico “Biblioteca universitária e EaD”; em 2016, no eixo “Ecologia da Informação”, subtema “Biblioteca universitária/EaD”; e, em 2018, no eixo “Ensino”, com enfoque em cursos EaD, os quais demandam a mediação dos bibliotecários e das BU no fornecimento de materiais didáticos e bibliográficos.
Em 2020, o evento ocorreu remotamente em virtude das restrições impostas pela pandemia de COVID-19, e os eixos temáticos não incluíram diretamente a EaD, o que pode ter contribuído para a queda na produção sobre o assunto. Em 2023, mesmo com a retomada presencial do evento, a ausência de um eixo direcionado à EaD manteve essa baixa produção. No SNBU 2020, realizado em 2021, dois trabalhos abordaram a temática, ambos vinculados ao eixo “Inovações”; já no SNBU 2023, três trabalhos sobre EaD foram identificados no eixo “Produtos e Serviços”.
Como argumenta Bontempi Jr. (2019), os eixos temáticos são construções validadas pela comunidade científica de um campo e orientam a inscrição das comunicações. Desse modo, a exclusão explícita da EaD dos eixos pode ter impactado negativamente o número de trabalhos submetidos sobre o tema.
Além disso, estudo recente de Djeki et al. (2022) aponta uma tendência de queda na produção científica sobre aprendizagem em meios eletrônicos, categoria relacionada à EaD, sendo 2020 o ano de menor produção no recorte entre 2015 e 2020. Embora o tema tenha perdido parte de sua centralidade, os efeitos da pandemia sobre a comunicação científica, especialmente nos eventos, também devem ser considerados como fatores explicativos.
Por outro lado, Masalimova et al. (2024), ao analisarem dados da base Scopus, observaram um crescimento na produção sobre ensino on-line, remoto, virtual e a distância no ensino superior nos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No entanto, o Brasil aparece apenas à frente da Rússia, cuja produção científica apresenta forte endogenia e vem sendo afetada por sanções internacionais, o que compromete sua visibilidade e indexação internacional.
No que se refere ao CBBD, observa-se que seu foco recai sobre profissionais atuantes em uma ampla variedade de bibliotecas — escolares, públicas, comunitárias e especializadas — que, em sua maioria, não têm a EaD como eixo central de atuação, uma vez que a expansão dessa modalidade no Brasil está mais diretamente relacionada aos cursos de graduação. Nesse contexto, apenas nas edições de 2019 e 2022 do CBBD houve menção direta à EaD nas chamadas de trabalhos, inserida no eixo temático “Construção e identidade profissional”. Em ambas as edições, a temática foi abordada entre os subtemas relacionados ao ensino (presencial e a distância), com ênfase nos currículos de Biblioteconomia.
A análise da distribuição temporal da produção, representada pela linha de tendência no Gráfico 1, evidencia uma tendência de queda, considerando as fontes analisadas. Tal declínio pode ser atribuído, em grande parte, à redução da produção relacionada à EaD durante as edições realizadas em meio à pandemia de COVID-19. O adiamento de eventos e o cenário de instabilidade sanitária e econômica provocado pelo surgimento de novas variantes do vírus SARS-CoV-2 impactaram significativamente a realização e a participação em eventos científicos (Santos, 2021).
Esse panorama influenciou diretamente o número de comunicações submetidas e aprovadas nos eventos estudados. Em média, as edições do SNBU e do CBBD recebem entre 300 e 500 trabalhos para apresentação. No entanto, o SNBU 2020 (realizado em 2021) aprovou apenas 114 trabalhos, enquanto o CBBD 2022 contabilizou 185. Esses números contrastam com os dados da edição de 2019 do CBBD, que contou com 323 comunicações orais e 171 pôsteres interativos, totalizando 494 apresentações. Assim, o baixo volume de submissões no período pandêmico pode ter repercutido na diminuição da produção voltada à EaD.
Entre 2014 e 2016, observa-se um crescimento expressivo das publicações sobre EaD, período em que a modalidade estava em evidência em razão do processo de implantação do curso de Bacharelado em Biblioteconomia na modalidade a distância (BibEAD), desenvolvido pela UAB em parceria com a Capes e o CFB. O processo teve início em 2010, com a criação da Comissão Técnica de Biblioteconomia da Capes/UAB, responsável pela elaboração do Projeto Pedagógico do Curso e pela sua avaliação. Em 2012, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi selecionada para liderar a produção do material didático, que foi aprovado em 2016 pela referida Comissão. Em setembro de 2017, foi consolidado o Projeto Pedagógico Nacional para os cursos integrantes do Sistema UAB (Brasil, 2017).
Durante esse período, bibliotecários participaram ativamente de equipes multidisciplinares, junto a docentes, com vistas à formação de profissionais em Biblioteconomia, especialmente em regiões interioranas do país. Tal iniciativa esteve alinhada às políticas públicas voltadas à instalação de bibliotecas em todos os municípios brasileiros e ao fortalecimento da educação básica (Brasil, 2020). Além disso, o curso possibilitou o fortalecimento da dimensão pedagógica do fazer biblioteconômico, ampliando as possibilidades de atuação dos bibliotecários na área educacional e promovendo a inclusão de sujeitos com acesso historicamente limitado ao ensino superior, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste (Lessa; Leal, 2023).
Cabe ressaltar que a motivação para a produção de trabalhos submetidos ao SNBU e ao CBBD está fortemente relacionada às experiências práticas dos bibliotecários em suas instituições, diferentemente do Enancib, que tem como foco principal as pesquisas acadêmicas desenvolvidas no contexto da pós-graduação. Nesse sentido, as produções presentes nos eventos selecionados refletem majoritariamente as vivências profissionais dos bibliotecários, o que confere relevância à análise da EaD a partir da ótica das práticas institucionais.
Os anos de maior desenvolvimento das produções coincidem com períodos de crescimento e visibilidade da EaD no cenário educacional. Pelegrini et al. (2017), ao analisarem publicações sobre EaD em âmbito nacional e internacional por meio da base Web of Science (WoS), apontam o intervalo entre 2008 e 2016 como o mais intenso em termos de publicações, em razão do avanço da Web 2.0, da consolidação da internet e da evolução das tecnologias digitais. O ano de 2015 destacou-se como o de maior produção brasileira. Mill (2016) denomina esse período como a “era de ouro” da EaD, caracterizado pela credibilidade da modalidade, ampliação dos investimentos públicos e protagonismo das instituições federais na oferta de cursos a distância.
Corroborando essa análise, Kruger e Castaman (2023) observaram um aumento expressivo nas publicações brasileiras sobre EaD entre 2016 e 2017, posicionando o Brasil na 14ª colocação mundial em volume de produção sobre o tema.
A análise da autoria dos trabalhos revela os nomes mais representativos: Maria Elizabeth Oliveira Costa (n = 4); Teresinha Teterycz (n = 3); Alexei David Antonio, Ana Paula Lopes da Silva, Beatriz Valadares Cendón, Fernanda Vasconcelos Amaral, Filipe Reis Dias de Jesus, Francisco Edvander Pires Santos, Helen Beatriz Frota Rozados, Izabel Lima dos Santos, Jorge Santa Anna, Sandra Helena Schiavon e Vivaldo Cordeiro Gonçalves (n = 2 cada).
A partir do exame dos currículos Lattes, verifica-se que a maioria dos autores são bibliotecários em atuação, cuja principal ocupação não é a pesquisa, diferentemente dos docentes vinculados a instituições de ensino e pesquisa. No entanto, suas experiências práticas, aliadas à formação acadêmica em nível de pós-graduação, resultam em produções relevantes, geralmente divulgadas em eventos profissionais. Dos 13 autores mais produtivos identificados, apenas três atuavam na docência no período da coleta de dados.
Observa-se, ainda, que os interesses de pesquisa desses autores se concentram em temáticas educacionais e tecnológicas, como EaD, tecnologias educacionais, capacitação de usuários e didática no ensino superior. Muitos possuem formação lato sensu e experiência profissional em áreas correlatas à EaD, o que direciona e motiva suas produções.
Destaque especial merece Maria Elizabeth Oliveira Costa, a autora com maior produção identificada nesta pesquisa. Graduada em Biblioteconomia pela UFMG, mestre em Tecnologia e Gestão em EaD pela UFRPE e doutora em Gestão e Organização do Conhecimento pela UFMG, Costa desenvolveu pesquisas sobre EaD tanto no mestrado quanto no doutorado. Atua como bibliotecária-documentalista na UFMG e participa de projetos como a criação do Setor de Apoio aos Alunos da EaD/UFMG e o projeto de extensão “Educação a distância na UFMG: bibliotecas polo de apoio presencial”, demonstrando que a EaD é elemento recorrente em sua trajetória acadêmica e profissional (Costa, 2023).
Por fim, o Gráfico 2 apresenta as instituições mais produtivas segundo os critérios adotados nesta pesquisa. Para tanto, elaborou-se um gráfico de colunas ordenado por representatividade, possibilitando a análise da geografia do conhecimento produzido, a partir da origem institucional dos autores.

Conforme se observa, a UFMG ocupa a primeira colocação em termos de produção, com contribuições de Maria Elizabeth Oliveira Costa (n = 4); Beatriz Valadares Cendón e Jorge Santa Anna (n = 2); Jacqueline Pawlowski Oliveira, Eliane Pawlowski de Oliveira Araújo, Carla Cristina Vieira de Oliveira, Katia Lucia Pacheco e Wellington Marçal de Carvalho. Destaca-se, nesse conjunto, a relação de orientação entre Maria Elizabeth Costa e Beatriz Cendón, esta última sua coorientadora no mestrado e orientadora no doutorado, resultando na produção conjunta de dois trabalhos: (i) “Biblioteca para todos: importância da criação de um setor para socializar o conhecimento para o aluno da educação a distância”, com a participação de Jorge Santa Anna; e (ii) “As bibliotecas universitárias e a educação a distância na percepção dos gestores educacionais”, assinado apenas por Costa e Cendón.
Considerando a distribuição geográfica das instituições presentes no ranking do Gráfico 2, observa-se a seguinte segmentação por região: Sudeste (SE), com cinco instituições; Sul, com três; Nordeste (NE), com duas; e Centro-Oeste (CO) e Norte (NO), com uma instituição cada. Esses resultados estão em consonância com os dados da 14ª edição do Mapa do Ensino Superior, segundo os quais a região Sudeste concentra 45,1% das matrículas no ensino superior brasileiro, seguida do Nordeste (21,3%), Sul (17,7%), Centro-Oeste (9,0%) e Norte (8,5%) (SEMESP, 2024).
No que se refere ao quantitativo de trabalhos publicados por região, o panorama identificado foi: SE (n = 22); Sul (n = 14); NE (n = 13); CO (n = 4) e NO (n = 4). Destaca-se, ainda, a presença de uma coautoria internacional, entre a Universidade de Lisboa e a Universidade de São Paulo (USP), resultando no trabalho intitulado “Serviços de bibliotecas para apoiar aprendizagem à distância: estudo de caso em Portugal e Brasil”, apresentado no SNBU 2023. O estudo, de autoria de Luiza Baptista Melo, Tatiana Sanches, Maria Imaculada Cardoso Sampaio e Adriana Cybele Ferrari, analisou os recursos e serviços oferecidos por bibliotecas acadêmicas nos dois países, em resposta às demandas da EaD durante a pandemia de 2020.
A proeminência da região Sudeste também reflete a configuração histórica e institucional da Biblioteconomia no Brasil, em termos da formação de recursos humanos e da concentração de instituições de ensino. Apóstolo, Moro e Alencar (2021) indicam que o Sudeste lidera com 39% da oferta de cursos de Biblioteconomia, seguido pelo Nordeste (25%), Sul (17%), Centro-Oeste (12%) e Norte (7%). Ressalta-se, ainda, que Minas Gerais possui o maior número de polos EaD, enquanto São Paulo destaca-se como o maior núcleo de cursos presenciais e a distância na área.
Na sequência, analisou-se a variável “tema”, com o intuito de identificar os termos mais frequentes nos trabalhos. Os assuntos mais recorrentes foram: educação (n = 24), discentes (n = 23), cursos (n = 22), ensino (n = 18), bibliotecas (n = 16), produtos e serviços de informação (n = 15), bibliotecários (n = 13), usuários (n = 13), universidade federal (n = 12), ambiente virtual de aprendizagem (n = 11), Biblioteconomia (n = 11), recursos e serviços (n = 11), tecnologias (n = 11), graduação (n = 10), necessidades (n = 10) e sistema de bibliotecas (n=10).
Observa-se um destaque para os termos “educação”, “discentes”, “cursos” e “ensino”, refletindo a centralidade da dimensão educacional na atuação das bibliotecas, especialmente no apoio à aprendizagem e no desenvolvimento de competências informacionais de estudantes da EaD. Essa modalidade de ensino demanda autonomia e autoaprendizagem, exigindo competências multidisciplinares para a construção do conhecimento (ABED, 2012). Preti (2009) destaca que a EaD é um processo autônomo e coletivo, que ocorre por meio das interações com colegas, professores, tutores e autores dos materiais didáticos.
Nesse processo, as bibliotecas assumem papel fundamental ao oferecer fontes de informação, capacitação de usuários, acesso a recursos digitais e suporte pedagógico, contribuindo para a permanência e o sucesso dos estudantes na modalidade.
A presença significativa da tríade “biblioteca”, “Biblioteconomia” e “bibliotecário” nos termos analisados está relacionada a estudos que discutem a implantação da formação em Biblioteconomia EaD e os desafios enfrentados, sobretudo diante da expectativa de aumento da demanda por profissionais, impulsionada pela Lei nº 12.244/2010, que trata da universalização das bibliotecas em instituições educacionais (Rozados; Barbalho, 2015).
Termos como “produtos e serviços de informação”, “usuários”, “universidade federal” e “ambiente virtual de aprendizagem” também se destacam por representarem, respectivamente, a oferta, o público-alvo, o lócus institucional e a infraestrutura tecnológica que sustentam a presença da EaD nas IES, além de viabilizarem a ampliação dos serviços biblioteconômicos a partir da estrutura implantada para essa modalidade. Um exemplo é o trabalho “Curso para capacitação de auxiliares e bolsistas do SIBI/UFG: uma experiência na Plataforma Moodle”, apresentado no SNBU 2016, de autoria de Fernanda Silva Damasceno, Michelle Flores e Sheila Cristina Frazão, que descreve a utilização de AVA como recurso formativo para a equipe da biblioteca.
O Gráfico 3 apresenta uma rede de um modo, composta pelas relações entre os termos mais frequentes, com base em sua coocorrência. O critério de inclusão foi a força do vínculo, considerando apenas palavras com mais de três relações com algum termo correlato. A rede resultante apresenta 33 nós, 94 conexões e força total de ligação de 996, sugerindo alta densidade temática. Foram identificados 10 clusters, que serão detalhados na análise das interações semânticas. Os pares mais recorrentes incluem: educação & discentes (n = 13); usuários & discentes (n = 12); cursos & educação (n = 10); cursos & discentes (n = 9); bibliotecas & educação (n = 9); discentes & ensino (n = 8); produtos e serviços de informação & educação (n = 8); usuários & educação (n = 8); e usuários & cursos (n=8).

Observa-se que os pares de termos identificados na análise estão tematicamente correlacionados, com predominância de enfoques voltados à educação de discentes e usuários das bibliotecas por meio de cursos a distância.
Di Francisco et al. (2014, p. 1), em estudo intitulado “Criação de um curso a distância para capacitação de usuários quanto à estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos: relato de experiência do SBI/IFSC-USP”, integrante do corpus analisado, afirmam que “a educação a distância tornou-se um instrumento valioso no ensino, oferecendo flexibilidade nos horários, especificidade dos conteúdos, sem reduzir a qualidade da aprendizagem”. Nesse trabalho, o AVA Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (Moodle) foi utilizado com a finalidade de capacitar e orientar alunos de graduação e pós-graduação.
Outras ferramentas e plataformas recorrentes nos relatos de experiência incluem o Massive Open Online Course (MOOC), o Google Classroom e a Wiki, demonstrando a apropriação, pelas bibliotecas, de recursos típicos da EaD para aprimorar serviços de capacitação e orientação. Dentre os produtos mais recorrentes, destacam-se ações de normalização de trabalhos acadêmicos, campo de expertise dos bibliotecários. Constatou-se, ainda, que as bibliotecas não apenas adaptam seus serviços à EaD, mas também incorporam suas metodologias, promovendo práticas mais acessíveis e dinâmicas para todos os usuários.
A análise dos resumos revelou uma variedade de abordagens metodológicas, distribuídas entre estudos teóricos e exploratórios, que tratam da atuação das bibliotecas na EaD, da competência informacional e do ensino de Biblioteconomia a distância, e pesquisas aplicadas, que relatam a implementação de cursos, capacitações, serviços de referência virtual e repositórios digitais.
Em síntese, os temas mais frequentes nos trabalhos apresentados no CBBD e no SNBU estão centrados em três pontos principais: capacitação de usuários por meio da EaD; papel das bibliotecas e oferta de serviços a distância; e formação em Biblioteconomia na modalidade a distância.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando o cenário atual, em que o Ministério da Educação, por meio da Portaria nº 528, de 6 de junho de 2024, determinou a suspensão do aumento de vagas, da criação de novos cursos de graduação na modalidade EaD e da implantação de novos polos até março de 2025, como medida para assegurar a sustentabilidade e a qualidade dessa oferta, reforça-se a importância das Bibliotecas Universitárias no apoio pedagógico e informacional aos cursos em andamento (Brasil, 2024b). Nesse contexto, as BU desempenham papel fundamental ao promover o acesso à informação, o desenvolvimento da competência informacional e o incentivo à aprendizagem autônoma, elementos cruciais para o êxito na formação a distância.
Apesar disso, os resultados deste estudo evidenciam uma redução na discussão sobre EaD nos eventos científicos da área de Biblioteconomia, refletindo uma queda na produção voltada à temática nas fontes analisadas. Tal retração pode estar relacionada ao declínio do interesse da comunidade acadêmica, especialmente após o ápice das iniciativas voltadas à EaD na década anterior, marcado pela implementação do BibEaD, fomentado pela Capes. Algumas instituições, inclusive, já se encontram em fase de encerramento do projeto, sem garantia de novas ofertas.
Outro aspecto relevante dos achados é a ênfase dada às iniciativas que utilizam ferramentas e plataformas digitais típicas da EaD para a qualificação de serviços bibliotecários, tais como capacitações, cursos de normalização e orientação ao uso da informação. Assim, os benefícios das tecnologias aplicadas à EaD extrapolam os limites dos cursos oferecidos nessa modalidade e impactam positivamente toda a comunidade acadêmica usuária das bibliotecas.
Compreende-se que, no interior das instituições e da própria sociedade, os bibliotecários enfrentam múltiplas demandas e desafios, o que justifica a diversidade temática abordada nos eventos da área. No entanto, no âmbito das IES e, particularmente, nas BU, a EaD não deve ser negligenciada. Ao contrário, demanda ações e serviços direcionados, além de espaço qualificado para debate e compartilhamento de experiências, considerando que representa uma via legítima e necessária de acesso à formação superior e à inserção no mercado de trabalho, especialmente em regiões historicamente desassistidas.
A EaD constitui, portanto, uma modalidade estratégica de formação e capacitação profissional, que rompe com os limites geográficos da educação presencial, promovendo a interiorização e a democratização do ensino superior. Diante disso, é imprescindível que os eventos científicos da área mantenham e ampliem eixos temáticos voltados à EaD, incentivando a produção de pesquisas e o engajamento dos profissionais da informação em práticas institucionais consistentes de apoio a essa modalidade educacional.
Reitera-se que o presente trabalho atingiu os objetivos propostos, considerando suas delimitações, ao identificar a distribuição anual das publicações — com destaque para a maior produtividade no ano de 2014 —, as principais instituições e autores responsáveis por essas produções, em especial a UFMG e Maria Elizabeth Oliveira Costa, bem como as tendências temáticas que se direcionam à dimensão educacional da biblioteca, com ênfase na capacitação de usuários por meio da EaD.
A principal limitação deste estudo reside em seu recorte, restrito a apenas dois eventos da área de Biblioteconomia. Como possibilidade para investigações futuras, sugere-se a ampliação do escopo para incluir outros eventos científicos, inclusive da área de Ciência da Informação, nos quais há participação de pesquisadores bibliotecários voltados ao estudo de temáticas relacionadas à formação profissional em Biblioteconomia.
REFERÊNCIAS
APÓSTOLO, M. M. P.; MORO, E. L. S.; ALENCAR, M. G. S. P. Ensino e formação profissional dos cursos de Bacharelado em Biblioteconomia no Brasil. Brasília, DF: CFB, 2021.
Associação Brasileira de Educação a Distância. ABED. Censo EaD.BR 2022: relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil. Curitiba, PR: InterSaberes, 2024.
Associação Brasileira de Educação a Distância. ABED. Competências para educação a distância: matrizes e referenciais teóricos. São Paulo, SP: ABED, 2012.
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação. ANCIB. Encontro Nacional de Pós-Graduação em Ciência da Informação. 2023. Disponível em: https://eventos.galoa.com.br/enancib-2023/page/2621-inicio. Acesso em: 02 jan. 2024.
ARBOIT, A. E.; BUFREM, L. S. Produção de trabalhos científicos em eventos nacionais da área de Ciência da Informação. Transinformação, Campinas, v. 23, n. 3, p. 207-217, 2011. Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/v/116311. Acesso em: 06 ago. 2023.
BONTEMPI JUNIOR, B. Entre a tradição e a inovação: um estudo diacrônico dos eixos temáticos e da aderência dos congressistas nos CBHEs (2000-2015). In: CURY, C. E.; VIEIRA, C. E.; SIMÕES, R. H. S. (org.) História da educação: global, nacional e regional. Vitória, ES: EDUFES, 2019. p. 213-230. (Coleção Horizontes, v. 15).
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2023: notas estatísticas. Brasília, DF: Inep, 2024a. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_escolar_2023.pdf. Acesso em: 06 set. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. EaD Bacharelado em Biblioteconomia: orientações preliminares. Brasilia, DF: CAPES/UAB/ABECIN, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/28112017FolhetoFinalCT.pdf. Acesso em: 22 jun. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. BibEad. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/educacao-a-distancia/universidade-aberta-do-brasil/mais-sobre-o-sistema-uab/cursos-nacionais-do-sistema-universidade-aberta-do-brasil/bibead. Acesso em: 22 jun. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 528, de 6 de junho de 2024. Estabelece prazo para criação de novos referenciais de qualidade e marco regulatório para oferta de cursos de graduação na modalidade a distância e procedimentos, em caráter transitório, para processos regulatórios de instituições de ensino superior e cursos de graduação na modalidade a distância - EaD. 2024b. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-528-de-6-de-junho-de-2024-564275259. Acesso em: 11 jul. 2024.
CALIL JUNIOR, A.; CORRÊA, E. C. D.; SPUDEIT, D. O uso das mídias sociais nas bibliotecas brasileiras: análise dos trabalhos apresentados no SNBU e CBBD. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis, SC. Anais [...]. Florianópolis, SC, 2013. p. 5044-5059.
CARDOSO, T. M. M. Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação: análises a partir de sua produção científica (2011-2017). Revista Brasileira De Biblioteconomia E Documentação, São Paulo, v. 14, p. 69-89, 2018. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/814. Acesso em: 10 set. 2023.
COSTA, M. E. O. Acesso e uso da informação em sistemas de bibliotecas universitárias federais para usuários da educação a distância (EaD). 2020. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Ciência da Informação, Belo Horizonte. 2020.
COSTA, M. E. O. Currículo Lattes. 2023. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/9305144934737276. Acesso em: 22 jun. 2024.
DI FRANCISCO, M. H. et al. Criação de um curso à distância para capacitação de usuários quanto à estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos: relato de experiência do SBI/IFSC-USP. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte, MG. Anais […]. Belo Horizonte, MG: Sistema de Bibliotecas UFMG. 2014.
DJEKI, E. et al. E-learning bibliometric analysis from 2015 to 2020. J. Comput. Educ., Beijing, v. 9, p. 727-754, 2022. Disponível em: . Acesso em: 06 ago. 2023.
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições. FEBAB. Repositório FEBAB: CBBD - Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. 2020. Disponível em: . Acesso em: 06 ago. 2023.
FERNANDES, H. D. H.; VILAN FILHO, J. L. Características da comunicação científica em projetos de pesquisa nas áreas de informação no Brasil. Informação & Informação, Londrina, v. 27, n.1, p. 583-603, 2022. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/44919. Acesso em: 20 nov. 2023.
FIALHO, S. H.; BARROS, M. J. F.; RANGEL, M. T. R. Desafios da regulação da EAD no ensino superior no Brasil: estrutura, diálogo e autonomia institucional. Gestão & Planejamento, Salvador, v. 20, p. 110-125, 2019. Disponível em: https://revistas.unifacs.br/index.php/rgb/article/view/5706/3744. Acesso em: 20 nov. 2023.
GINGAS, Y. Os desvios da avaliação da pesquisa: o bom uso da bibliometria. Rio de Janeiro, RJ: UFRG, 2016.
KRUGER, J. M.; CASTAMAN, A. S. Análise bibliométrica da produção científica brasileira sobre Educação a Distância e Educação Online na Base de Dados Web of Science com o uso da Methodi Ordinatio. Revista Cocar, Belém, v. 18, n. 36, p. 1-21, 2023. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/5755. Acesso em: 8 abr. 2024.
LESSA, B.; LEAL, D. L. Avaliação crítica e uso de fontes de informação digitais por estudantes do curso Biblioteconomia a distância da Universidade Federal da Bahia: uma análise baseada no Framework for Information Literacy for Higher Education-ACRL. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 21, p. e023018, 2023. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8672271. Acesso em: 8 jun. 2024.
MASALIMOVA, A. R. et al. Analyzing trends in online learning in higher education in the BRICS countries through bibliometric data. Frontiers in Education, Switzerland, v. 9, p. 1-13, 2024. Disponível em:
MILL, D. Educação a Distância: cenários, dilemas e perspectivas. R. Educ. Públ., Cuiabá, v. 25, n. 59, p. 432-454. 2016. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/repub/v25n59s2/2238-2097-repub-25-59-s2-00432.pdf. Acesso em: 8 jun. 2024.
NASCIMENTO, D. E. S.; SÁ, N. O. A oferta de serviços e produtos de informação para alunos de cursos de graduação na modalidade de educação a distância. Revista Conhecimento em Ação, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 150, 2016. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/71419. Acesso em: 10 jan. 2022.
NURSE, R.; BAKER, K.; GAMBLES, A. Library resources, student success and the distance-learning university. Information and Learning Sciences, Leeds, v. 119, n. 1, p. 77-86. 2018. Disponível em: . Acesso em: 19 mar. 2025.
PELEGRINI,T. O. et al. O perfil da pesquisa acadêmica sobre educação a distância no Brasil e no mundo. Read: Revista Eletrônica de Administração, Porto Alegre, v. 23, p. 371-393, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/read/a/bkzGBm6fdfYTkFWMzth9hrj/?lang=pt. Acesso em: 23 jun. 2024.
PRETI, O. Educação a Distância: fundamentos e políticas. Cuiabá: EdUFMT, 2009.
PINTO, A. L. et al. Sistemática de un factor de calidad de los acontecimientos científicos. Biblios: Journal of Librarianship and Information Science, Florianópolis, v. 77, 38-49, 2020. Disponível em: https://biblios.pitt.edu/ojs/biblios/article/view/669. Acesso em: 23 jun. 2024.
ROZADOS, H. B. F.; BARBALHO, C. R. S. Graduação a distância em biblioteconomia: a parceria do CFB com a UAB. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 11, n. especial, p. 447-464, 2015. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/521. Acesso em: 23 jun. 2024.
RUSSO, M. Inovação no Ensino da Biblioteconomia no Brasil: implantação do Bacharelado na Modalidade de Educação a Distância. Informação & Sociedade: estudos, João Pessoa, v.26, n.1, p. 21-35, 2016. Disponível em: . Acesso em: 19 mar. 2025.
SANTOS, M. S. L. XXI SNBU 2020 - Mensagem da Presidente. 2021. Disponível em: https://www.snbu2020.com.br/site/snbu2020/mensagem-da-presidente. Acesso em: 23 jun. 2024.
SEMESP. Mapa do Ensino Superior - Dados estados e Regiões. 14. ed. 2024. Disponível em: https://www.semesp.org.br/mapa/edicao-14/regioes/. Acesso em: 23 jun. 2024.
SENA, P. M. B.; CHAGAS, M. T. A biblioteca universitária na educação a distância: papel, características e desafios. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 20, n. 4, p. 163-180, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pci/a/MTRw45pgtMQTXJBx6QK54Vf/?lang=pt. Acesso em: 23 jun. 2024.
SENA, P. M. B.; PRADO, J. M. K. FEBAB Hackathon: una práctica de Innovación Abierta para las bibliotecas en favor de la sociedad. Biblios: Journal of Librarianship and Information Science, Florianópolis, n. 86, p. 100–113, 2024. Disponível em: . Acesso em: 19 mar. 2025.
SOUSA, L. M. O.; ARAÚJO, E. M.; MIRANDA, J. G. V. Caracterização do acesso à assistência ao parto normal na Bahia, Brasil, a partir da teoria dos grafos. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 33, p. e00101616, 2017. Disponível em: https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/6390/13633. Acesso em: 23 jun. 2024.
SPIESS, M. R.; MATTEDI, M. A. Eventos científicos: da Pirâmide Reputacional aos círculos persuasivos. Sociedade e Estado, Brasília, DF, v. 35, n. 2, p. 441-471, 2020. Disponível em:
VAN ECK, N. J.; WALTMAN, L. Software survey: VOSviewer, a computer program for bibliometric mapping. Scientometrics, Amsterdam, v. 84, n. 2, p. 523-538, 2010. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-009-0146-3. Acesso em: 23 jun. 2024.
VAHDATI, S. et al. A comprehensive quality assessment framework for scientific events. Scientometrics, Budapest, v. 126, p. 641-682. 2021. Disponível em: . Acesso em: 19 mar. 2025.
VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
ZHOU, J. The role of libraries in distance learning during COVID-19. Information Development, New York, v. 38, n. 2, p. 227-238, 2022. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/02666669211001502. Acesso em: 8 jun. 2024.
ZHU, D.; PORTER, A. L. Automated extraction and visualization of information for technological intelligence and forecasting. Technological forecasting and social change, Amsterdam, v. 69, n. 5, p. 495-506, 2002. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040162501001573. Acesso em: 8 jun. 2024.
Quadro 1 – Procedimentos metodológicos da pesquisa
Fonte: elaboração própria (2024).
Gráfico 1 – Produção por ano sobre EaD nos anais do SNBU e CBBD (2013 a 2023)
Fonte: Elaboração própria (2024).
Gráfico 2 – Instituições mais representativas na produção de comunicações sobre a temática.
Fonte: Elaboração própria (2024).
Gráfico 3 – Palavras-chave e suas correlações (mais de 3 relações.)
Fonte: Elaboração própria (2024).