Registros cartográficos de uma ocupação: precariedade e potência de vida

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Resumo

Este artigo analisa narrativas produzidas por moradores da ocupação dos prédios do IBGE-Mangueira, no Rio de Janeiro, com o objetivo de compreender como sujeitos historicamente marginalizados constroem e performam identidades sociais em contextos de extrema precariedade habitacional. Ancorado na cartografia performativa (2021) como abordagem teórico-metodológica, o estudo resulta de uma imersão de quatro anos no território, durante a qual a produção de dados se deu de forma implicada e processual, por meio de registros em diário cartográfico (Deleuze; Guattari, 1995; Rolnik, 1989/2006). As análises, orientadas pelos conceitos de performatividade (Butler, 1990) e entextualização (Bauman; Briggs, 1990; Silverstein; Urban, 1996), evidenciam que a linguagem opera como ação social, constituindo material e simbolicamente formas de (re)existir. As narrativas examinadas revelam tanto a incidência de estigmas associados à pobreza, àquela ocupação e às identidades associadas a tal território quanto estratégias narrativas que tensionam e reconfiguram esses discursos, produzindo sentidos alternativos sobre moradia, cidadania e pertencimento. Conclui-se que a referida ocupação deve ser compreendida como um território de invenção e potência de vida, e não apenas como espaço de carência.
Palavras-Chave: Cartografia performativa. Ocupação IBGE-Mangueira. Reexistência. Política habitacional.

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Biografia do Autor

Cláudia Maria de Lima Graça, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professora e pesquisadora com Graduação em Educação física UFRJ; graduação em Fonoaudiologia IBMR; Especialização em Psicomotricidade IBMR; Especialização em Direitos Humanos, Cidadania e Responsabilidade Social PUC RS; Mestrado em Fonoaudiologia UVA; Doutorado em linguística Aplicada UFJ; Docente da Graduação em Fonaoduiolgia da UFRJ; Coordenadora de práticas Fonoaudiológica I, IV e em Estágio em saúde Coletiva na graduação em Fonoaudiologia da UFRJ.

Clarissa Rodrigues Gonzalez, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Pós-doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e doutora pela Universidad Complutense de Madrid

Ana Amália Bloise, Instituto Anthropos de Psicomotricidade Somática (IAP)

Pesquisadora com Graduação em Psicologia (IBMR); Graduação em Educaçao Fisica (FKB), Formação em Psicomotricidade Somática (Instituto Anthropos de Psicomotricidade), Formação Psicorgánica (APO); Pós-graduada em Psicomotricidade (FAT); membro e sócia-diretora do Instituto Anthropos de Psicomotricidade Somática; atua como psicóloga clinica e psicomotricista em Milão, Itália.

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Publicado

2026-08-14