As condições metapragmáticas do impeachment de Dilma Rousseff
Resumo
Este trabalho tem por objetivo investigar a emergência do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Refletindo sobre a trajetória do pedido de impeachment nas casas do parlamento brasileiro, localizo a sessão de votação da Câmara, em abril daquele ano, como o ponto central dessa trajetória. Essa sessão ficou famosa devido às justificativas apresentadas por deputados e deputadas, que afirmavam votar por suas famílias, pelos médicos do Brasil etc. Com base na perspectiva de que textos sempre respondem a outros textos, este artigo rastreia as trajetórias textuais dos discursos entextualizados por esses deputados/as. A análise se concentra nas manifestações de rua que ocorreram nos meses que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff. Os discursos entextualizados nos cartazes, faixas e demais elementos semióticos constroem Dilma, seu governo e partido como corruptos, que precisam ser derrubados pela Nação. Em seguida, discuto como essas manifestações, bem como o consórcio entre a Operação Lava-Jato e a grande mídia, forjaram as condições metapragmáticas de emergência do impeachment de Dilma Rousseff, cuja trajetória não se restringe aos limites institucionais das discussões parlamentares.
Palavras-chave: Discurso. Trajetória textual, Impeachment. Pragmática.
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