Proficiência circulante: espaços, interseccionalidades e a crítica à meritocracia linguística
Resumo
Este artigo problematiza a noção de proficiência linguística como atributo centrado no sujeito, que emergiria “de dentro para fora”. Em contraposição, propõe-se o conceito de proficiência circulante, constituída a partir dos espaços dos quais o sujeito se apropria e das intersecções de sua(s) identidade(s), sendo subjetivada “de fora para dentro”. Argumenta-se que as interseccionalidades restringem a circulação dos sujeitos por espaços linguisticamente valorizados, tornando a proficiência linguística um privilégio de acesso. Nesse sentido, instrumentos de avaliação da proficiência atuam como dispositivos de contenção de acesso a privilégios usufruídos por sujeitos com alta mobilidade, contribuindo para a reprodução das desigualdades sociais. Esta proposta teórica inscreve-se na tradição da Linguística Aplicada Indisciplinar e dialoga com debates sociológicos sobre o espaço, estudos de avaliação em línguas e a teoria da interseccionalidade, com vistas a questionar a perspectiva meritocrática construída em torno da proficiência linguística e reivindicar a mobilidade como condição primordial para práticas avaliativas equânimes.
Palavras-Chave: Proficiência circulante. Interseccionalidade. Meritocracia linguística.
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