Proficiência circulante: espaços, interseccionalidades e a crítica à meritocracia linguística

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Resumo

Este artigo problematiza a noção de proficiência linguística como atributo centrado no sujeito, que emergiria “de dentro para fora”. Em contraposição, propõe-se o conceito de proficiência circulante, constituída a partir dos espaços dos quais o sujeito se apropria e das intersecções de sua(s) identidade(s), sendo subjetivada “de fora para dentro”. Argumenta-se que as interseccionalidades restringem a circulação dos sujeitos por espaços linguisticamente valorizados, tornando a proficiência linguística um privilégio de acesso. Nesse sentido, instrumentos de avaliação da proficiência atuam como dispositivos de contenção de acesso a privilégios usufruídos por sujeitos com alta mobilidade, contribuindo para a reprodução das desigualdades sociais. Esta proposta teórica inscreve-se na tradição da Linguística Aplicada Indisciplinar e dialoga com debates sociológicos sobre o espaço, estudos de avaliação em línguas e a teoria da interseccionalidade, com vistas a questionar a perspectiva meritocrática construída em torno da proficiência linguística e reivindicar a mobilidade como condição primordial para práticas avaliativas equânimes.
Palavras-Chave: Proficiência circulante. Interseccionalidade. Meritocracia linguística.

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Biografia do Autor

Diego De Oliveira, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp)

Doutorando em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, com interesse de pesquisa voltado às dinâmicas linguístico-territoriais de famílias transnacionais lusófonas e às dinâmicas linguístico-territoriais da diáspora trans brasileira na Itália. Desenvolve estudos nas áreas de mobilidade, linguagem, territorialidade, ensino de línguas e migração, com enfoque nas relações entre língua, subjetividade e pertencimento. É membro do grupo de pesquisa ENAPLE-CCC Ensino e Aprendizagem de Língua Estrangeira: Crenças, Construtos e Competências e da Associação Brasileira de Professores de Italiano (ABPI). Atua também no ensino de português para estrangeiros e em discussões relacionadas à formação linguística em contextos transnacionais.

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Publicado

2026-08-14