Era uma vez em 1934 - Milton Ohata
Resumo
Quando estreou na literatura com Três mulheres de três PPPês, em 1977, ocrítico Paulo Emilio Sales Gomes era um nome mais que consolidado na
área de cinema, dentro e fora do Brasil. As três novelinhas surpreenderam
até mesmo seus amigos mais chegados, como foi o caso de Antonio
Candido, que algum tempo depois saudou a “modernidade serena e corrosiva” do livro, vertida “numa prosa quase clássica, translúcida e irônica,
com certa libertinagem de tom que faz pensar em ficcionistas franceses do
século XVIII”. Para ele, no momento em que a literatura brasileira atingia
uma boa média em qualidade técnica, fazendo surgir dúvidas “sobre os
limites da inovação que vai se tornando rotineira e resiste menos ao tempo”, o melhor parecia vir de autores de fora do meio, que estrearam tardiamente com uma segurança artística extraordinária, como o próprio Paulo
Emilio, o Pedro Nava das Memórias e o Darcy Ribeiro de Maíra. Na ocasião, outro crítico notou -- num longo ensaio analítico -- que se tratava
simplesmente da nossa melhor prosa desde Guimarães Rosa, “por força da
coerência de seu trabalho artístico”. Paulo Emilio não chegou a ver essas
primeiras recepções do livro pois faleceu precocemente alguns meses após
a sua publicação, deixando uma obra fundamental de crítica só reunida postumamente pelos seus discípulos, sem falar no muito que ainda estava por
conceber e redigir. Agora se vê que Três Mulheres de três PPPês não era uma
experimentação avulsa e que a vertente literária estava ganhando um espa-
ço maior nos planos futuros de Paulo Emilio.
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2017-07-04
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Artigos
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