A ONTOLOGIA FAVELISTA
Uma Teoria do Ser a Partir da Vida Negada, Produzida e Resistente
Resumo
Este artigo propõe uma ontologia favelista como sistema filosófico fundado na experiência histórica, material, simbólica e política das favelas brasileiras. Diferentemente das ontologias clássicas europeias que naturalizam perspectivas específicas como universais, a ontologia favelista parte da vida que foi sistematicamente negada, mas que persiste, resiste e produz realidade. A partir do favelismo como corrente filosófica emergente, entendido como sistema de pensamento que parte das condições materiais, relacionais e políticas da vida nas favelas para propor categorias ontológicas próprias (Coelho, 2025), o artigo investiga como a existência se constitui sob condições de precariedade estrutural, negação institucional e produção coletiva de sentido. Através do conceito central de Ser-Favela, investigam-se as condições de uma existência que se constitui à margem do reconhecimento institucional, mas nunca à margem da produção de si. Este trabalho dialoga criticamente com tradições filosóficas ocidentais, Heidegger e Sartre, e com pensadores da diáspora africana, Fanon e Mbembe, propondo categorias ontológicas próprias: a diferença entre existir e ser reconhecido, a precariedade produtiva, a temporalidade não-linear e a racialização do ser. Argumento que pensar filosoficamente desde a favela não constitui apenas um exercício de inclusão epistêmica, mas uma necessidade ontológica que revela dimensões do ser sistematicamente obscurecidas pelas filosofias hegemônicas.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 GÊ COELHO

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Os autores, ao enviar textos para possível publicação, concordam com os seguintes termos:
1. Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação.
2. A publicação é licenciada sob a Creative Commons Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0).
3. O autor está autorizado a publicar o trabalho em outras revistas ou como capítulo de livro, desde que a distribuição não seja exclusiva e indique a primeira publicação nesta revista.
4. O autor é incentivado a divulgar e disponibilizar o trabalho aprovado para publicação nesta revista em quaisquer meios, desde que essa versão divulgada seja a mesma enviada para avaliação e, posteriormente, seja alterada pela versão publicada.