Terra, Corpo e Reivindicação Coletiva: A Leitura de Torto Arado a partir do Pensamento Xiangtu Chinês

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Resumo

Este artigo aborda Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, a partir de uma perspectiva comparativa orientada por concepções chinesas de terra e pelo xiangtu wenxue. Em contraste com tradições pastorais que frequentemente imaginam o campo a partir de uma distância privilegiada, idílica ou escapista, o xiangtu wenxue chinês enfatiza uma relação mais material e socialmente enraizada com a terra em um horizonte histórico mais amplo. A terra não é tratada como mero pano de fundo rural passivo, mas como base da produção agrária, da sobrevivência familiar, da formação comunitária e de um pertencimento forjado pela adversidade. Com base tanto na representação da terra no xiangtu wenxue quanto em concepções culturais chinesas mais amplas, este artigo argumenta que esse quadro interpretativo ajuda a iluminar como Torto Arado transforma a terra em uma relação material e simbólica por meio da qual se produzem violência histórica, saber incorporado e resistência coletiva.

Palavras-chave: terra; corpo; quilombo; xiangtu wenxue.

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Biografia do Autor

Tingting LYU, University of Wisconsin-Madison, Madison, WI, USA

Tingting Lyu. Doutoranda em Espanhol e Português na University of Wisconsin–Madison. Possui graduação em Português pela Universidade de Pequim (Pequim, 2020) e mestrado em Letras, com concentração em Literatura Mundial e Comparada, pela Universidade de Pequim (Pequim, 2023). Sua pesquisa concentra-se nas literaturas africanas de língua portuguesa, com especial interesse por questões de mobilidade, circulação transnacional e cartografia literária. Traduziu do português para o chinês romances de autores como António Lobo Antunes, Lídia Jorge e Mia Couto.

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Publicado

2026-10-17

Edição

Seção

Dossiê