INTERDIÇÃO DA FALA: A GUERRA DO SILENCIAMENTO NO MASSACRE DE CANUDOS
Abstract
Este trabalho tem por objetivo analisar o massacre de Canudos, - conflito armado que se deu nas proximidades de Monte Santo, no sertão baiano, envolvendo governo republicano e sertanejos, então seguidores de Antônio Conselheiro, - através de uma perspectiva que, aliada à esfera da Psicanálise, aponte para outras leituras possíveis. Considerando o aspecto político do conflito, o artigo pretende estabelecer uma relação entre violência estatal e resistência armada, partindo do pressuposto psicanalítico do “desmentido”, desenvolvido e trabalhado na prática analítica do psicanalista húngaro Sándor Ferenczi. Nesse aspecto, a impossibilidade de ouvir o outro, compreender suas reais necessidades, configura-se como uma espécie de sufocamento das vozes oprimidas, passíveis de um silenciamento social, através do emprego da violência estatal exacerbada. Pretende-se resgatar a importância do relato testemunhal e da literatura de testemunho como meios de denúncia dessa “asfixia” das falas sertanejas, além dos atos bárbaros cometidos pelo exército republicano no massacre dos moradores de Canudos. Por último, propõe-se uma reflexão sobre uma outra possibilidade de fazer política, centrada no respeito à alteridade do outro, efetivada na prática de escuta e no acolhimento de outras falas, enfatizando, sobretudo, que essas falas atestam esse outro, o oprimido como sujeito detentor de dignidade humana.
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