A humanidade na aceleração tecnológica: energia, informação e o relé vivo na geopolítica do Antropoceno
Resumo
Com o advento da Revolução Industrial e a dissociação entre o trabalho manual (energia) e o conhecimento (informação), este artigo busca analisar a separação entre essas duas variáveis, que confrontam a noção de autonomia frequentemente utilizada para descrever os sistemas da economia digital. O problema de pesquisa consiste em compreender como as alegações de autonomia algorítmica podem ser sustentadas diante da realidade material da extração mineral, do trabalho humano envolvido no treinamento dos sistemas e da regulação das ferramentas tecnológicas. Dessa forma, parte-se da hipótese de que a inteligência algorítmica não é autônoma, mas depende de uma homeostase híbrida sustentada por infraestruturas humanas, energéticas e ambientais. Conclui-se que o capitalismo ciberfóssil mascara sua dependência da biosfera e do trabalho humano sob a retórica da imaterialidade digital, enquanto a homeostase híbrida emerge como um fator estrutural atrelado à entropia do Antropoceno.
Palavras-chave: energia; homeostase híbrida; informação; revolução industrial.