Um livro de rascunhos setecentista
a rotina metodológica anterior ao labor filológico
DOI:
https://doi.org/10.24206/lh.v12i1.70061Palavras-chave:
Português brasileiro, O Borrador, Sócio-história, Codicológia-Diplomática, PaleografiaResumo
Este trabalho tem como objetivo apresentar as análises sócio-histórica, codicológica, diplomática e paleográfica de O Borrador em que lanço todas as cartas que escrevo, a partir de 1749 estando na Bahia, de Antônio Gomes Ferrão Castelo Branco. A documentação faz parte do acervo de obras raras manuscritas da Biblioteca Brasiliana e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP), e do banco de textos do NELP, o Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão (CE-DOHS). Em sua fase colonial, integra o projeto Guarda-chuva CE-DOHS: um corpus para uma caracterização linguístico-gramatical do português brasileiro - fase colonial e fase pós-colonial. A referida documentação é uma espécie de livro de rascunho, na qual Antônio Gomes – que se identificava como português, baiano e brasileiro – passou a anotar a partir de 1749 cartas e outros documentos. Datada de meados do século XVIII, a documentação é um testemunho vivo que revela os ritos da vida privada do fidalgo e do contexto sócio-histórico da Bahia daquele período. Em razão disso, configura-se como um documento valioso para as pesquisas em Sociolinguística Histórica, especialmente sobre o período colonial brasileiro, ainda pouco explorado, nessa perspectiva. Por meio de uma abordagem teórico-metodológica interdisciplinar como proposto pela sociolinguística histórica (Romaine, 1982; Hernàndex-Campoy; Conde-Silvestre, 2012), identificam-se: o quê? O onde? O como? O quem? O para quem? E para quê? (Petrucci, 2003), (Mattos e Silva, 2004). Para além de tais saberes, lançam-se os olhares da Diplomática, da Codicologia e da Paleografia para o tratamento metodológico das escritas antigas (Contreras,1994), (Lose, 2022). O Borrador é representativo de um período importante da história, recobre o período de gestação do português brasileiro (Mattos e Silva, 2004), e contribui significativamente para os estudos do português do período colonial, na medida que lançará luz sobre um recorte temporal ainda pouco explorado, como se disse.
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