O RACISMO INSTITUCIONAL DOS ESPÍRITOS CATIVOS

DEVOTOS DO ESTADO E DA IGREJA

Autores

  • Pamela Cristina Gois UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.59488/976

Resumo

Em termos nietzschianos, o Estado jamais admite a presença de espíritos livres em sua nação, pois estes não reconheceriam sua autoridade, tampouco a da religião dominante. Por essa razão, prefere cultivar espíritos cativos. Para Nietzsche, a autoridade, nesse contexto, configura-se como uma instância que deve ser constantemente questionada. No processo das invasões coloniais, o Estado europeu, juntamente com a Igreja Cristã, criou e conservou valores morais de seu interesse. Por meio de suas instituições, impôs sua força civilizatória, nutrindo a existência do espírito cativo, que, através de um longo processo de doutrinação, consolidou-se como um animal obediente em sociedade. Esse tipo humano alimenta um sistema pautado em convicções e dominações hierárquicas, pois simplesmente deposita fé naquilo que lhe é apresentado como verdade.  O pensamento de Nietzsche, portanto, pode estabelecer um diálogo com a chamada filosofia decolonial libertária, uma vez que ambas compreendem a liberdade como inseparável da independência intelectual. Reconhecem-se, é claro, as ressalvas de Nietzsche em relação ao anarquismo, sobretudo em suas obras de maturidade; contudo, o presente artigo concentra-se nos pontos de convergência entre essas perspectivas.

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Biografia do Autor

Pamela Cristina Gois, UFRJ

Possui doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e especialização em Ética e Política pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). É graduada em História e Filosofia. Atua como professora de História e Filosofia na Educação Básica. Integra o Quilombo do IFCS/UFRJ e o Coletivo de Pesquisas Observatório do Trabalho na América Latina (OTAL/UFRJ).

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Publicado

2026-03-18