Encantamento, desencantamento e reencantamento
DOI:
https://doi.org/10.55702/3m.v30i60.69604Keywords:
encantamento, desencantamento, magia, racionalidade, músicaAbstract
O artigo analisa a trajetória histórica dos conceitos de encantamento, desencantamento e reencantamento. O encantamento é definido a partir de sua origem etimológica, vinculada à magia, ao canto e à música, que expressam uma cosmovisão arcaica simbólica e espiritual. Em contraste, o desencantamento, segundo Max Weber, corresponde à desmagificação da religião e à racionalidade científica, que resultam na perda de sentido, na alienação e no niilismo moderno. O texto destaca também a crítica de Tolstói à ciência, incapaz de fornecer valores para a vida. Diante dessa crise, surge a proposta de reencantamento, inspirada em perspectivas antropológicas, feministas e decoloniais. Essas correntes buscam a reconexão com a natureza, os corpos e as comunidades. O romantismo é apresentado como um antecedente importante, ao resistir à mecanização e ao racionalismo modernos.
Downloads
References
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
AURIER, Albert. Oeuvres posthumes. Paris: Mercure de France, 1893.
BEAUDE, Joseph. La mystique. Paris: Fides, 1990.
BÉGUIN, Albert. El alma romantica y el sueño. Ensayo sobre el romanticismo alemán y la poesía francesa. Mexico: Fondo de Cultura económica, 1996.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
BLOCH, Ernst. O princípio esperança I. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005.
BLOCH, Ernst. O princípio esperança II. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2006.
CAROLLO, Cassiana. Decadismo e simbolismo no Brasil: crítica e poética. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Ed., 1980.
COUTINHO, Afrânio (org.). Cruz e Sousa. Fortuna Crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
CERTEAU, Michel de. A fábula mística, séculos XVI e XVII. Rio de Janeiro: Forense, 2015. v. 1.
CORBIN, Henry. En Islam iranien: aspects spirituels et philosophiques. Paris: Gallimard, 1971. t. IV.
DESCOLA, Philippe. Par-delà nature et culture. Paris: Gallimard, 2005. E-book.
ECO, Umberto. Os limites da interpretação. São Paulo: Perspectiva, 1995.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Lisboa: Livros do Brasil, 1962.
ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1963.
ELIADE, Mircea. Historia de las creencias y las ideas religiosas: de la Edad de Piedra a los Misterios de Eleusis. Barcelona: Paidós, 1999. v. 1.
ELIADE, Mircea. O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.
FEDERICI, Silvia. Re-enchanting the world: feminism and the politics of the commons. Oakland: PM Press, 2019.
FONTAINAS, André. Mes souvenirs du Symbolisme. Paris: Nouvelle Revue Critique, 1928.
FRIEDRICH, Hugo. Estrutura da lírica moderna. São Paulo: Duas Cidades, 1978.
GATHERAL, James. The bohemian republic transnational literary networks in the Nineteenth Century. New York: Routledge, 2021. DOI: https://doi.org/10.4324/9781003038610
HADOT, Pierre. Exercícios espirituais e filosofia antiga. São Paulo: É Realizações, 2014.
HANEGRAAFF, Wouter J. Esotericism and the academy: rejected knowledge in western culture. Cambridge: Cambridge University Press, 2012. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9781139048064
HARPER, Douglas. Online Etymology Dictionary. Disponível em: https://www.etymonline.com/. Acesso em: 15 ago. 2024.
HUXLEY, Aldous. A situação humana. São Paulo: Editora Globo, 1992.
INGOLD, Tim. Estar vivo: ensaios sobre o movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: Vozes, 2015.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
KREUZER, Helmut. Die Boheme: Analyse und Dokumentation der intellektuellen Subkultur. Jahrhundert bis zur Gegenwart. Weimar: Metzler, 2000. vom 19. DOI: https://doi.org/10.1007/978-3-476-02760-3
LESCURE, M. de. Journal et memoires Mathieu Marais. Paris: Firmin Didot frères, 1863.
LABRACHERIE, Pierre. La vie quotidienne de la bohème littéraire au XIXe siècle. Paris: Hachette, 1967.
LOSSO, Eduardo Guerreiro B. Mística e antimística, simbolismo e crítica literária. Revista Intellèctus – UERJ, Rio de Janeiro, v. 17, p. 92–111, 2018. DOI: https://doi.org/10.12957/intellectus.2018.39088
LOSSO, Eduardo Guerreiro B. História, analogia e natureza em Novalis. Pandaemonium Germanicum – USP, São Paulo, v. 23, n. 41, p. 125–152, 2020. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1982-8837.v23i41p125-152
LOSSO, Eduardo Guerreiro B. História da mística e modernidade do sublime. Trilhas Filosóficas, Caicó, ano 13, n. 1, p. 13–33, 2020a. DOI: https://doi.org/10.25244/tf.v13i1.2010
LOSSO, Eduardo Guerreiro B. O caminho no meio da pedra: o fenômeno transtropicalista Thiago Amud. IHU Unisinos online, São Leopoldo, jan. 2021. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/606265-o-caminho-no-meio-da-pedra-o-fenomeno-transtropicalista-thiago-amud. Acesso em: 1 jul. 2021.
LOVEJOY, Arthur. The Great Chain of Being. A study of the history of an idea. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2001.
LÖWY, Michael; SAYRE, Robert. Revolta e melancolia: o romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
LÖWY, Michael. A estrela da manhã: surrealismo e marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
MANN, Thomas; KERÉNYI, Karl. Romandichtung und Mythologie: Ein Briefwechsel mit Thomas Mann. Zürich: Rhein-Verlag, 1945.
MEILLET, A.; ERNOUT, A. Dictionnaire etymologique de la langue latine. Paris: Klincksieck, 1951.
MENNINGHAUS, Winfried. Walter Benjamins Theorie der Sprachmagie. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1995.
MICHAUD, Guy. Message poétique du symbolisme. Paris: Nizet, 1961.
MORICE, Charles. La littérature de tout à l’heure. Paris: Perrin et Cie, 1889.
NASCENTES, Antenor. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1955.
PAZ, Octavio. Os filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
PICOCHE, Jacqueline. Dictionnaire étymologique du français. Paris: Le Robert, 1992.
PIERUCCI, António Flávio. O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber. São Paulo: Editora 34, 2013.
KRENAK, Ailton. Roda Viva. Entrevista concedida a Vera Magalhães. 19 abr. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BtpbCuPKTq4. Acesso em: 15 ago. 2024.
SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, quilombos: modos e significados. Brasília: INCTI/UnB, 2015.
SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Flecha no tempo. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.
TOLSTÓI, Liev. Uma confissão. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. E-book.
VASCONCELOS JÚNIOR, Gilberto Araújo de. O poema em prosa no Brasil (1883–1898). Origens e consolidação. 301 f. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.
WEBER, Max. Historia económica general. México: Fondo de Cultura Economica, 1942.
WEBER, Max. História geral da economia. São Paulo: Mestre Jou, 1968.
WEBER, Max. Ensaios de sociologia. Organização: H. H. Gerth e C. Wright Mills. Rio de Janeiro: LTC, 1979.
WEBER, Max. Gesammelte Aufsätze zur Wissenschaftslehre. Tübingen: Mohr, 1988.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Eduardo Guerreiro Brito Losso

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- a. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- b. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- c. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).