Da dialética da intoxicação em Naked Lunch

Autores/as

  • José Carlos Félix
  • Charles Ponte
  • Fábio Akcelrud Durão

DOI:

https://doi.org/10.55702/3m.v15i24.10935

Resumen

A fama de Naked Lunch (1959), de William Burroughs pode ser explicada tanto por seu conteúdo quanto forma: a) a descrição chocante de todo tipo de obscenidade e abjeção; b) seu experimentalismo, por meio de um uso
extenso de uma técnica de ruptura, associada a uma escrita modernista transgressiva. O presente ensaio discute a adaptação de David Cronenberg, investigando recursos que favorecem um sentido mais simples, negado
pelo livro, porém fundamental para garantir a circulação de um produto da indústria cultural. Procura-se demonstrar que, se a obra de Burroughs é regida pelo dito “nada é verdadeiro, tudo permitido”, a versão fílmica de Cronenberg usa a defesa da intoxicação, não para alcançar um processo verdadeiramente
criativo, mas para desenvolver uma estrutura narrativa que inverte a oposição convencional entre alucinação e sobriedade. O resultado é uma tensão na qual os estados alucinatórios encontram-se plasmados por gêneros narrativos do cinema mainstream, como o noir e o flme de conspiração. É na alucinação que
se forma um padrão narrativo coeso, que só é desestabilizado por pequenas interferências que podem ser vistas como erros técnicos. A estrutura narrativa alucinatória é construída com base em uma naturalização coerciva da estética cinematográfca análoga aos procedimentos de homogeneização da percepção da
indústria cultural.

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Publicado

2017-06-27