Depois de 1968
Deleuze, Guattari e a política da sensibilidade
DOI:
https://doi.org/10.59488/tragica.v19i2.73667Resumo
Este artigo analisa o deslocamento de Gilles Deleuze para a arte nos anos 1980 a partir do fechamento da paisagem política aberta por Maio de 1968. Parte-se da hipótese de que esse fechamento não se produziu imediatamente após o acontecimento, mas apenas depois da cauda longa dos anos 1970, da qual O anti-Édipo e Mil platôs constituem formulações filosófico-políticas decisivas. O problema central é compreender como, no início dos anos 1980, a abertura dos possíveis passa a ser vivida como rarefação, bloqueio e necrose do sensível. Em um primeiro momento, examina-se Maio de 1968 como acontecimento e como transformação das condições de percepção. Em seguida, analisa-se a resposta de Félix Guattari aos anos de inverno, marcada pela cartografia dos miasmas, da captura subjetiva e da infantilização capitalística. Por fim, sustenta-se que Deleuze desloca o problema para a arte, não como refúgio estético, mas como operação perceptiva. A literatura, a pintura e o cinema aparecem, assim, como procedimentos capazes de combater os clichês, produzir sensação e abrir formas de vidência. A virada deleuziana para a arte é compreendida, portanto, como uma política da sensibilidade.
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