Depois de 1968

Deleuze, Guattari e a política da sensibilidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59488/tragica.v19i2.73667

Resumo

Este artigo analisa o deslocamento de Gilles Deleuze para a arte nos anos 1980 a partir do fechamento da paisagem política aberta por Maio de 1968. Parte-se da hipótese de que esse fechamento não se produziu imediatamente após o acontecimento, mas apenas depois da cauda longa dos anos 1970, da qual O anti-Édipo e Mil platôs constituem formulações filosófico-políticas decisivas. O problema central é compreender como, no início dos anos 1980, a abertura dos possíveis passa a ser vivida como rarefação, bloqueio e necrose do sensível. Em um primeiro momento, examina-se Maio de 1968 como acontecimento e como transformação das condições de percepção. Em seguida, analisa-se a resposta de Félix Guattari aos anos de inverno, marcada pela cartografia dos miasmas, da captura subjetiva e da infantilização capitalística. Por fim, sustenta-se que Deleuze desloca o problema para a arte, não como refúgio estético, mas como operação perceptiva. A literatura, a pintura e o cinema aparecem, assim, como procedimentos capazes de combater os clichês, produzir sensação e abrir formas de vidência. A virada deleuziana para a arte é compreendida, portanto, como uma política da sensibilidade.

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Biografia do Autor

Luiz Teves, UERJ/UNIFESO/UNISUAM

Pós-doutorando em Teoria e Filosofia do Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutor (2022) e mestre (2016) em Teoria e Filosofia do Direito pela UERJ, e bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2013). Professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO) e do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), onde coordena o Grupo de Pesquisa Direito, Filosofia e Artes (DFA-UNISUAM). Participa do Grupo de Pesquisa Direito, Pragmatismo(s) e Filosofia (UERJ) e da Rede de Laboratórios Moitará (UFRJ). É membro da Rede Brasileira de Direito e Literatura (RDL). Atua como membro do corpo editorial e revisor da revista Lugar Comum: Estudos de Mídia, Cultura e Democracia (ISSN 1415-8604) e da Revista RITMO (ISSN 2965-9817). Integra também o Projeto de Extensão Escola Livre de Direito, Arte e Filosofia (desde 2023). Desenvolve pesquisas nas áreas de Teoria e Filosofia do Direito, Direito e Literatura, Estética e Política e Filosofia Contemporânea.

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Publicado

2026-08-04

Como Citar

TEVES DE PAIVA SOUSA, Luiz Felipe. Depois de 1968: Deleuze, Guattari e a política da sensibilidade. Trágica: Estudos de Filosofia da Imanência, [S. l.], v. 19, n. 2, p. 44–65, 2026. DOI: 10.59488/tragica.v19i2.73667. Disponível em: https://www.revistas.ufrj.br/index.php/tragica/article/view/73667. Acesso em: 20 ago. 2026.

Edição

Seção

Artigos publicados em fluxo contínuo