As figuras da crueldade e da indireção em Freud e Derrida
DOI:
https://doi.org/10.59488/tragica.v19i2.75219Resumo
Este trabalho tem como horizonte uma leitura das relações entre crueldade, soberania e indireção em Freud e Derrida. Busco destacar como Derrida convoca a psicanálise como um saber sem álibi diante da crueldade, isto é, como um discurso capaz de pensar a crueldade sem reduzi-la a um desvio moral, a um excesso social ou a uma categoria metafísica. Dialogando com Freud, especialmente com seus textos sobre a guerra, o mal-estar e a economia pulsional, tento pensar a crueldade em sua inscrição psíquica e política, articulada às formas da soberania, da violência e do poder. No entanto, a resposta possível à crueldade não assume aqui a forma de uma supressão direta ou de um programa ético-político. Ao contrário, ela passa por caminhos indiretos de ligação, desvio, identificação e amor. A indireção se deixa entrever, nesse sentido, como figura não soberana de resposta ao outro e como possibilidade frágil de pensar a eticidade própria da psicanálise.
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