O perecível e o descartável em Cildo Meireles, Krajcberg e Tunga

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ae.n51.9

Palavras-chave:

Arte contemporânea, Perecibilidade, Descarte, Experiência, Antropoceno

Resumo

O artigo investiga a noção de perecibilidade e descarte como eixo crítico na produção de Cildo Meireles, Frans Krajcberg e Tunga, compreendendo tais categorias não apenas como escolhas materiais, mas como operadores conceituais, políticos e simbólicos. A análise ancora-se nas reflexões de Hannah Arendt sobre as relações entre durabilidade, fabricação e mundo comum, tomando o resto como índice da crise das formas de permanência e como campo de reinscrição crítica da experiência. Em Cildo Meireles, o uso de restos industriais (sua obsolescência), materiais cotidianos e a construção de circuitos ideológicos tensionam os sistemas de valor e a institucionalização da arte, transformando o resíduo em experiência crítica e sensorial. Em Frans Krajcberg, o descarte assume caráter ético e ecológico: troncos queimados, raízes e pigmentos naturais configuram vestígios da violência ambiental, reinscrevendo o gesto artístico como denúncia e testemunho. Em Tunga, o perecível opera no campo do disforme como laboratório de uma antigestalt da forma e do objeto, em ambientes instáveis nos quais matéria, erotismo e fabulação sustentam uma poética do enigma. A comparação entre os três artistas evidencia diferentes regimes do resto – como linguagem crítica, denúncia ecológica e mito materializado –, afirmando a arte como campo de tensão entre história, mundo e matéria.

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Biografia do Autor

João Cicero Teixeira Bezerra, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

É doutor em história social da cultura pela PUC-Rio (2015) e doutor em artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2023). Realizou pós-doutorado em artes cênicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro entre 2015 e 2017, e entre 2021 e 2022. Desde 2024, desenvolve pesquisa de pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em História da Arte da Uerj, com apoio da Faperj, sob a supervisão de Vera Beatriz Siqueira, investigando paisagens fluminenses e suas representações ambientais e geopolíticas.

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Publicado

10-09-2026