O perecível e o descartável em Cildo Meireles, Krajcberg e Tunga
DOI:
https://doi.org/10.60001/ae.n51.9Palavras-chave:
Arte contemporânea, Perecibilidade, Descarte, Experiência, AntropocenoResumo
O artigo investiga a noção de perecibilidade e descarte como eixo crítico na produção de Cildo Meireles, Frans Krajcberg e Tunga, compreendendo tais categorias não apenas como escolhas materiais, mas como operadores conceituais, políticos e simbólicos. A análise ancora-se nas reflexões de Hannah Arendt sobre as relações entre durabilidade, fabricação e mundo comum, tomando o resto como índice da crise das formas de permanência e como campo de reinscrição crítica da experiência. Em Cildo Meireles, o uso de restos industriais (sua obsolescência), materiais cotidianos e a construção de circuitos ideológicos tensionam os sistemas de valor e a institucionalização da arte, transformando o resíduo em experiência crítica e sensorial. Em Frans Krajcberg, o descarte assume caráter ético e ecológico: troncos queimados, raízes e pigmentos naturais configuram vestígios da violência ambiental, reinscrevendo o gesto artístico como denúncia e testemunho. Em Tunga, o perecível opera no campo do disforme como laboratório de uma antigestalt da forma e do objeto, em ambientes instáveis nos quais matéria, erotismo e fabulação sustentam uma poética do enigma. A comparação entre os três artistas evidencia diferentes regimes do resto – como linguagem crítica, denúncia ecológica e mito materializado –, afirmando a arte como campo de tensão entre história, mundo e matéria.
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