v. 32 n. 51 (2026): Ruínas em regeneração
A arte e a arquitetura têm uma longa trajetória comum, tendo se separado como disciplinas autônomas apenas na modernidade, em meio à especialização e à autonomização dos campos do conhecimento na sociedade ocidental de modo geral. Em tempos de urgências sociais e climáticas, quando se faz premente nutrir as ‘artes de viver nas ruínas’ dessa mesma modernidade que gestou o atual estado catastrófico, devemos olhar novamente para essa relação em um novo esforço para regenerar os territórios e as formas de vida devastados pelos extrativismos.
Como sugere Donna Haraway, as colaborações interdisciplinares e interculturais são fundamentais para somar esforços com o objetivo de fazer com que o chamado Antropoceno seja o mais curto e tênue possível. Apresentamos, assim, investigações que apontem para maneiras pelas quais as artes, as arquiteturas e outros saberes das ciências humanas e biológicas possam colaborar produtivamente na reparação das ruínas – concretas ou metafóricas, materiais, ecológicas, sociais ou simbólicas – que hoje abundam em nossas paisagens.