Coreografias subterrâneas: ruína e silício

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ae.n51.5

Palavras-chave:

Subsolo, Corpo, Hélio Oiticica, Materialidade, Tecnologia

Resumo

Este artigo investiga a relação entre corpo, livro e infraestrutura técnica a partir da noção de “coreografia subterrânea”. Os pontos de partida são meu texto Coreografia para ansiedades climáticas (Caesar, 2026) e o manifesto SUBTERRÂNIA/SUBTERRÂNIA 2, de Hélio Oiticica (1969), articulados a uma reflexão sobre calor, peso, gravidade e materialidade como dimensões constitutivas da experiência do conhecimento. A análise aproxima o livro impresso e o dispositivo digital, entendendo ambos como reorganizações provisórias de matéria terrestre – celulose, minerais, silício – inseridas em regimes históricos de extração e controle climático. Em diálogo com debates contemporâneos sobre infraestrutura, ecologia e tecnologia, o artigo argumenta que a leitura e o uso de dispositivos digitais são práticas corporais situadas, dependentes de condições térmicas, energéticas e geopolíticas específicas. O texto usa formalmente a queda, que, longe de ser metáfora de fracasso, é pensada como operador estético e político que desloca a verticalidade moderna do saber para uma atenção ao subsolo. Ao aproximar arte, materialidade e tecnologia, o texto propõe compreender o conhecimento como prática infraestrutural e gravitacional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sofia Caesar, Luca School Of Arts

Desenvolve um corpo de trabalho que borra os limites entre a coreografia e as artes visuais. Caesar usa filme, texto, performance, escultura, e instalação, em trabalhos que perguntam: que danças podemos dançar para combater as forças que nos coreografam?

Referências

CAESAR, Sofia. Coreografia para ansiedade climática. In: GUZZO, Marina (org.). Práticas de descanso: gestos menores diante do Antropoceno. São Paulo: Editora Provisória/Numa Editora, 2026.

HARAWAY, Donna J. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo: Ubu Editora, 2023.

HARAWAY, Donna J. Quando as espécies se encontram. Tradução de Pedro Galé. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

INGOLD, Tim. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: Vozes, 2015.

INGOLD, Tim. Being alive: essays on movement, knowledge and description. London: Routledge, 2011.

INGOLD, Tim. The perception of the environment: essays on livelihood, dwelling and skill. London: Routledge, 2000.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. Lisboa: Antígona, 2014.

OITICICA, Hélio. Esquema geral da nova objetividade (1967). In: OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986a, p. 84-101.

OITICICA, Hélio. SUBTERRÂNIA/SUBTERRÂNIA 2 (1969). In: OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986b, p. 125-127.

OITICICA, Hélio. SUBTERRÂNIA/SUBTERRÂNIA 2. 1969. Manuscrito. Disponível em: https://legacy-ssl.icnetworks.org/extranet/enciclopedia//ho/index.cfm?fuseaction=documentos&cd_verbete=4523&cod=364&tipo=2. Acesso em: 6 maio 2026.

SERRES, Michel. Polegarzinha. Trad. Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

STEYERL, Hito. A queda livre: um experimento sobre perspectiva vertical. Revista Serrote, São Paulo, n. 15, p. 110-121, 2013.

TSING, Anna Lowenhaupt. O cogumelo no fim do mundo: sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo. São Paulo: Ubu Editora, 2019.

Downloads

Publicado

10-09-2026