Da Terra ao ar: Ruína, voo, recipientes na obra de Brígida Baltar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ae.n51.6

Palavras-chave:

Brígida Baltar, Escultura, Voo, Vazio

Resumo

Ao analisar trabalhos atravessados pela temática do voo de Brígida Baltar e de Yves Klein, percebe-se que em Brígida Baltar há uma construção feita ao longo do tempo, que vai da terra ao ar, e de sua trajetória, desde suas intervenções na arquitetura de sua moradia ao ato de coletar elementos naturais na paisagem, estendendo-se à série Esculturas Aladas, apresentadas na exposição O que é preciso para voar (Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2011). No início de sua trajetória, essas ações construíram uma poética da ruína, na qual o corpo da artista operava como agente de intervenção no espaço arquitetônico; ao longo do tempo, entretanto, passou a denotar uma consciência da fragilidade e efemeridade dos meios em que escolhe trabalhar. Nesse sentido, o artigo traça um paralelo com o conceito de string figures desenvolvido por Donna Haraway, inspirado na teoria da bolsa de ficção apresentada por Ursula Le Guin. A partir dessa perspectiva teórica, o texto busca associar tal reflexão de Haraway a algumas obras de Brígida Baltar, investigando se a narrativa presente em seu trabalho se posiciona nessa inversão da narrativa heroica.

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Biografia do Autor

Vanessa Santos Ximenes, Universidade Federal do Rio de Janeiro

´É artista visual e docente no IFRJ. Doutoranda em artes visuais pelo PPGAV, investiga o silêncio e gestos obsessivos por meio da escultura e cerâmica. Em 2022, foi premiada pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Suas obras integram mais de cinco coleções brasileiras. É autora do livro BORDA.

Referências

BALTAR, Brígida. O que é preciso para voar. Texto Marcelo Campos. Versão John Norman. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2011.

BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. In Magia e técnica, arte e política - Obras escolhidas volume 1. Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

CAMPOS, Marcelo. O que é preciso para voar. Rio de Janeiro: Oi Futuro, 2011 (catálogo).

HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo: n-1 edições, 2023.

LE GUIN, Ursula K. A teoria da bolsa de ficção. Trad. Isabel Diégues. Rio de Janeiro: Cobogó, 2025.

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Publicado

10-09-2026