Como possivelmente endereçar a uma entidade alien – por que não?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ae.n51.7

Palavras-chave:

Ficção especulativa, Imaginação radical, Escuta profunda, Inteligência artificial, Xenofilia

Resumo

Especular formas de endereçamento a um hipotético ente alien é uma tarefa inconclusa — elaboração dando-se radicalmente no limite de nossos aparatos cognitivos e arcabouços imaginativos —, pois nos solicita imbricarmo-nos com procederes mais-que-humanos. É, contudo, precisamente na impossibilidade de lograr pleno êxito que ela desponta como tarefa profícua. Ao passo que tensiona os limites de nossa imaginação e prospecta um possível tempo vindouro — o possível fim deste Mundo —, o intento imaginativo perspectivado do ente alien deflagra um exercício de (re)delineamento e reposicionamento ético da categoria humano, de suas hierarquizações internas e externas e, por conseguinte, do diagrama sociopolítico no qual estamos implicades. Partindo da pergunta que dá título ao ensaio, especulo maneiras éticas de escuta, imaginação e endereçamento àquilo que, mais imediatamente, desponta como estranho aos regimes de inteligibilidade desse Mundo e, assim, desafia seu Entendi mento, a aceleração tecnológica predatória e seus mecanismos de captura. Sondo possibilidades de correspondência com o abismo — que situo como síntese conceitual-material dos impasses do presente —, à maneira fabulatório-especulativa de formas de vida abismais, com o intuito de estranhar mais firmemente sua arquitetura conceitual-material e rearticular o diagrama sociopolítico do presente mediante engajamentos com o não-imediato, o desfamiliar e a politização da incerteza como ação.

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Biografia do Autor

Rodrigus Pinheiro, Universidade Federal Fluminense

É artista-pesquisadora, doutoranda e mestra em estudos contemporâneos das artes pelo PPGCA/UFF e graduada em artes visuais/escultura pela EBA/UFRJ. Desenvolve trabalho de ficção especulativa transmídia, mobilizando diferentes meios e materialidades a partir da noção de “performatividade inalgoritmável”, formulada no âmbito de sua pesquisa. Sonda, assim, outras possibilidades de costura entre as inteligências do corpo e da máquina, capazes de dificultar a captura de nossa capacidade vital de imaginar narrativas dissidentes para nossos passados/presentes/futuros biotecnológicos.

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Publicado

10-09-2026