Sapucaia tecnológica e a coleta de coisas brancas
DOI:
https://doi.org/10.60001/ae.n51.3Palavras-chave:
Ilha de Sapucaia, Memória, Narrativa, Trapeiro, ColetarResumo
O artigo narra as transformações na paisagem da ilha de Sapucaia, território que hoje faz parte do aterro sobre o qual foi construído o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A ilha de Sapucaia foi o primeiro grande vazadouro de lixo da cidade do Rio de Janeiro e, mais tarde, aterrada com outras ilhas na realização do projeto modernista da Universidade do Brasil. Essas duas imagens da mesma ilha, que correspondem ao território que recebe aquilo que chega ao fim de sua vida útil e à base ideal que recebe a utopia, são aproximadas pela figura e pelo gesto do trapeiro que, caminhando em meio a paisagens devastadas por resíduos, coleta os trapos (os fragmentos) que serão transformados em papel (em plano). A ação Coleta de Coisas Brancas, realizada na enseada do Parque Tecnológico, aonde o lixo ainda chega pelas águas da baía de Guanabara, é apresentada como uma expedição à extinta ilha de Sapucaia, acessada pelo gesto trapeiro da coleta, de modo a narrá-la como um vazadouro de coisas e de memórias.
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