Habitar ruínas e deslocar escombros – notas sobre o teatro ambiental do Grupo Erosão
DOI:
https://doi.org/10.60001/ae.n51.20Palavras-chave:
Teatro ambiental, Erosão costeira, Grupo Erosão, Desconstrução, Museologia socialResumo
Este ensaio teórico, poético e visual apresenta dois trabalhos performáticos do Grupo Erosão de Teatro, produzidos pela CasaDuna – Centro de Arte, Pesquisa e Memória de Atafona: o projeto de performance e museologia social Museu Ambulante (2021-2026) e a performance Do rio ao mar – rio Paraíba vivo! (2024). Ambos compartilham o fazer coletivo, a prática situada e transdisciplinar e o engajamento ecopolítico, derivando de uma pesquisa de longa duração fundada em dois gestos teatrais – habitar ruínas e deslocar escombros – compreendidos em seu duplo aspecto literal e metafórico. Em diálogo com Jacques Derrida, Anna Tsing, Donna Haraway, Malcom Ferdinand e Leda Maria Martins, o texto articula a experiência de conviver com a erosão costeira em Atafona à crise socioambiental e política contemporânea, propondo a noção de teatralidades da erosão para pensar a desestabilização radical da paisagem atafonense e como prática de produção coletiva de memória, longe de uma estetização espetaculizante do fenômeno. Discute ainda a ação de "desmedir" realizada com redes fantasma na antiga foz assoreada do rio Paraíba do Sul como gesto de denúncia da hýbris capitalista-colonial e como passagem de uma temporalidade linear para uma temporalidade espiralar, afrodiaspórica, fundamental para a construção de uma justiça climática que reconheça as desigualdades produzidas no processo histórico capitalista e colonial.
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Referências
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