(Re)construindo caminhos para a descolonização do cânone literário: “Construção”, de Chico Buarque, em chinês
Resumo
O presente artigo analisa a tradução da letra da canção “Construção”, de Chico Buarque, para o chinês, examinando como repetição, cadência, imagens poéticas e progressão narrativa são reconfiguradas e dialogam com as canções chinesas “Demitido” e “Mate aquele cara de Shijiazhuang”. Recorre-se às noções de musema e de sintaxe musical, de Philip Tagg, para descrever os efeitos músico-semióticos de “Construção”, bem como aos conceitos de coincidências improváveis e de afinidades inesperadas, de Zhang Longxi, que contribuem para a descolonização da tradução literária e para a expansão do cânone literário mundial, criticando a miopia eurocêntrica em relação a literaturas periféricas. Argumenta-se que a tradução chinesa de “Construção” é um exercício de afinidade e alteridade entre as literaturas brasileira e chinesa e que, apesar de atenuar elementos poético-musicais do original, produz novas formas de legibilidade textual, cultural e poética no diálogo sino-brasileiro.
Palavras-chave: Chico Buarque; sintaxe musical; literatura-mundo; descolonização da tradução literária; diálogos sino-brasileiros
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