(Re)construindo caminhos para a descolonização do cânone literário: “Construção”, de Chico Buarque, em chinês

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Resumo

O presente artigo analisa a tradução da letra da canção “Construção”, de Chico Buarque, para o chinês, examinando como repetição, cadência, imagens poéticas e progressão narrativa são reconfiguradas e dialogam com as canções chinesas “Demitido” e “Mate aquele cara de Shijiazhuang”. Recorre-se às noções de musema e de sintaxe musical, de Philip Tagg, para descrever os efeitos músico-semióticos de “Construção”, bem como aos conceitos de coincidências improváveis e de afinidades inesperadas, de Zhang Longxi, que contribuem para a descolonização da tradução literária e para a expansão do cânone literário mundial, criticando a miopia eurocêntrica em relação a literaturas periféricas. Argumenta-se que a tradução chinesa de “Construção” é um exercício de afinidade e alteridade entre as literaturas brasileira e chinesa e que, apesar de atenuar elementos poético-musicais do original, produz novas formas de legibilidade textual, cultural e poética no diálogo sino-brasileiro.

Palavras-chave: Chico Buarque; sintaxe musical; literatura-mundo; descolonização da tradução literária; diálogos sino-brasileiros

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Biografia do Autor

Júlio Reis Jatobá, Universidade de Macau, Macau, China

Júlio Reis Jatobá. Professor Assistente na Universidade de Macau. Possui licenciatura em Letras pela Universidade de Brasília, mestrado em Linguística Aplicada e doutorado em Estudos Literários e Interculturais pela Universidade de Macau (2020). Leciona na China desde 2006 tendo, entre 2010 e 2015, atuado como leitor do Ministério das Relações Exteriores do Brasil na Guangdong University of Foreign Studies (Guangzhou). Sua pesquisa e docência abrangem tradução literária, estudos literários e interculturais, e multilinguismo. Atualmente, é vice-coordenador institucional da Cátedra UNESCO “Políticas Linguísticas para o Multilinguismo” na Universidade de Macau.

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Publicado

2026-10-17

Edição

Seção

Dossiê