Felicidade Clandestina, Felicidade Primeira: Clarice Lispector e a expansão das Categorias da Poética Chinesa
Resumo
Com base nas categorias poéticas extraídas por Wu Xiaodong, Luo Gang e Ni Wenjian — a poética polifônica e dialógica, a poética da reminiscência, a perspectiva infantil na narração retrospectiva e o impulso cultural lírico —, este artigo examina as obras Felicidade Clandestina, “Os Desastres de Sofia” A Hora da Estrela e A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. A pesquisa revela que as obras da autora não apenas encarnam os traços do romance poético, mas também ampliam o alcance dessas categorias. A dimensão agonística avança para o questionamento da própria legitimidade do ato de escrever. A poética da reminiscência gera poeticidade por meio da reconstrução seletiva e da fratura em espiral. A perspectiva infantil cria uma tensão entre a retrospecção impulsionada pela infância da narradora e o olhar silencioso exteriorizado. Quanto ao impulso lírico, Clarice transforma a felicidade primeira de elegia a um espaço geográfico em uma busca permanente pelo "neutro" — um movimento contínuo de tocar o indizível no limite da linguagem. Esse esforço cognitivo de produzir pensamento pela via lírica responde ao seu profundo desafio diante da língua portuguesa: fazer de uma linguagem que "se opõe ao pensamento mais complexo" um meio de interrogar a existência.
Palavras-chave: romance poético; poética agonística; poética da reminiscência; impulso lírico
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