A dureza da rua. Governos do sexo de rua em Caracas. Este artigo faz parte de uma investigação mais ampla sobre o funcionamento, a gestão e a regulamentação de mercados ilegais em Caracas, entendidos não apenas como aqueles em que são comercializados produtos proibidos, mas também, como no caso da prostituição de rua, aqueles que não têm acesso a mecanismos legais de regulamentação e resolução de conflitos. Com base em uma pesquisa etnográfica que durou mais de um ano em dois contextos adjacentes, mas distintos, de prostituição de rua, um mais central e movimentado e o outro em uma rua mais periférica e escondida, comparamos práticas ilícitas, padrões de violência e, acima de tudo, mecanismos de regulamentação e governança. Na praça mais periférica, episódios de violência, inclusive violência sexual e agressões entre as próprias profissionais do sexo, são mais comuns, assim como atividades ilícitas ou desviantes, como roubo, venda e consumo de drogas e prostituição de adolescentes e meninas. A regulamentação se baseia em coalizões, respostas individuais ou uma figura de “patrocínio” (as “mães”) em que prostitutas mais velhas lideram e protegem grupos de jovens prostitutas em troca de presentes. Em contraste, na praça mais movimentada, onde mecanismos de controle mais centralizados e sofisticados são operados por um grupo de mulheres prostitutas e ex--prostitutas (com o apoio de prostitutas trans) e em parceria com a polícia, a violência, os conflitos e as infrações são significativamente menos frequentes.
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Biografia do Autor
Andrés Antillano, Universidad Central de Venezuela, Caracas, Venezuela
Professor e pesquisador do Instituto de Ciências Penais da Universidade Central da Venezuela. Fomardo em Psicologia Social pela Universidade Central da Venezuela e pós-graduado em Criminologia Crítica e Justiça Penal pela Universidade de Barcelona na Espanha.
Dossiê Sexualidad, vulnerabilidad y criminalización
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