O Rio ´é meu país!
Resumo
Técnica: fotografia/ poesia visual
Ano: 2025
Segurar o Brasil nas mãos, ou melhor, permitir que ele se abra em recorte para revelar o que há por trás, é se apropriar de um território diverso, tão diverso que extrapola todas as bordas existentes, criando um espaço afetivo para além de qualquer imagem.
Aqui fundimos a técnica da colagem e fotografia ao posicionar fisicamente o contorno de nosso mapa sobre a vista da janela, fazendo com que corpo, objeto e cenário se fundam numa composição sensível, crítica, subjetiva. Essa fusão entre fotografia e intervenção manual cria uma imagem híbrida: uma quase-colagem. Ao invés de manipulação digital, há materialidade: papel, luz natural, enquadramento feito no momento. A moldura do país, vazia, funciona como abertura: permite que outra visão do Brasil emerja, atravessando o contorno oficial com paisagens que nem sempre são convocadas a representar a nação.
"O Rio é meu país" é uma declaração informal popularizada pelas redes. Aqui esse grito cheio de afeto ganha uma nova camada de sentido: não apenas como celebração do Rio de Janeiro, mas como afirmação de que certos territórios transcendem sua geografia para se tornar o todo para uma parte da população.
A vista, que parte de um ponto da mais antiga favela da cidade, não é o recorte tradicional dos cartões-postais, mas sim de um olhar dissidente, periférico, que, apesar de ter acesso aos cenários mais belos da cidade, está posicionado nas margens da sociedade. Essa janela, muitas vezes silenciada, recebe, enfim, alguma centralidade.
Mais do que um território, o mapa do Brasil, posicionado como objeto dentro da cena, se torna um questionamento: quem pode decidir o que representa o país? Quem pode moldar essa imagem? A mão do corpo invisível que se apropria da imagem faz com que o Brasil se torne mais do que uma ideia abstrata, passando a ser uma escolha, uma intervenção.
Essa fotografia tenta reimaginar o Brasil por meio da intimidade, do afeto e da dissidência. É uma imagem ancorada na fronteira entre o pessoal e o político, entre o gesto e o conceito e que busca construir uma poesia visual a partir do que geralmente é visto como margem. Um convite a atravessar o recorte e ver o país por outro ângulo.
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