Rompendo a moldura

a reconstrução de Ofélia em Ophelia (2018)

Autores

  • Joanna Angélica da Motta UFRJ
  • Douglas Esteves Moutinho

DOI:

https://doi.org/10.55702/medievalis.v15i1.75282

Palavras-chave:

Ofélia, Feminino, Hamlet, Ophelia, adaptação

Resumo

Este artigo analisa a reconstrução da personagem Ofélia na adaptação cinematográfica Ophelia (2018), dirigida por Claire McCarthy, a partir dos estudos de adaptação, da crítica feminista e da análise da linguagem cinematográfica. Partindo da hipótese de que o filme desloca a protagonista da condição de objeto da narrativa para sujeito de sua própria história, investiga-se como recursos como a centralização do ponto de vista, enquadramentos, a representação da natureza e a reescrita do episódio do afogamento conferem à protagonista uma centralidade narrativa ausente em Hamlet (1623). O diálogo com autoras como Laura Mulvey, Elaine Showalter e Marcia Tiburi, aliado às contribuições de Linda Hutcheon sobre adaptação, permite compreender a obra de Claire McCarthy como releitura crítica do cânone shakespeariano. Conclui-se que a adaptação não apenas modifica o destino de Ofélia, mas também ressignifica sua memória cultural, deslocando-a da posição de figura contemplada para a de narradora de sua própria experiência.

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Publicado

2026-08-21

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Artigos