Os traços de liderança de Jair Bolsonaro e seus impactos na política de Direitos Humanos
Resumo
Este artigo analisa de que maneira os traços de liderança de Jair Bolsonaro influenciaram a condução da política externa brasileira na área de direitos humanos entre 2019 e 2022, à luz da Análise de Traços de Liderança (ATL). Parte-se do pressuposto de que, embora o Brasil tenha consolidado, desde a redemocratização, um compromisso com o regime internacional de direitos humanos, a atuação presidencial é decisiva para definir prioridades nessa agenda. Propõe-se a hipótese de que os traços de liderança de Jair Bolsonaro moldaram sua política externa para os direitos humanos ao enfatizar características como baixa complexidade conceitual, elevado viés intragrupo e níveis relevantes de desconfiança, que teriam condicionado a adoção de uma política externa marcada por visões dicotômicas e voltada a satisfazer demandas de sua base doméstica. Metodologicamente, o estudo utiliza análise de conteúdo quantitativa aplicada a entrevistas e discursos de Bolsonaro, coletados na Biblioteca da Presidência da República e processados com o auxílio do software Profiler Plus. Em conclusão, a hipótese foi parcialmente corroborada. Comparado a grupos normativos internacionais e nacionais, Bolsonaro apresenta baixa autoconfiança e baixa complexidade conceitual, o que o caracteriza como um líder fechado à informação e fortemente condicionado por sua base doméstica, ainda que outros traços, como viés intragrupo e desconfiança, não tenham se mostrado salientes. A combinação desses traços ajudou a explicar a reversão de posicionamentos históricos do Brasil em direitos humanos, como visto nos votos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, evidenciando uma política externa marcada por visões dicotômicas e alinhada a demandas internas específicas.
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