As possibilidades da canção contemporânea: uma análise de "Como é bom estar debaixo d’água", de Luedji Luna
Resumo
A arte das últimas décadas tem se consolidado como espaço de expressão de grupos marginalizados, em que a autoficção (Kingler: 2008) ou, ainda, a escrevivência (Evaristo: 2020) concretizam-se como subversão da perspectiva hegemônica e pretensamente universal. Entre elas, temos a canção, que, ao unir melodia e letra, capilariza-se de maneira única entre diferentes grupos sociais, o que a transforma em potente ferramenta não só de exposição, mas de disseminação de discussões insurgentes. Diante do exposto, este ensaio pretende examinar de que modo a autoficção, ou escrevivência, tem sido utilizada como estratégia política dentro da arte. Para tanto, utilizo o álbum audiovisual Como é bom estar debaixo d’água (2020), da cantora Luedji Luna, e pontuo, por meio da análise composicional, melódica e imagética da obra, como a negritude feminina é tônica na linha narrativa da obra: nas letras, vemos expressa a subjetividade dessa mulher, em vista de evidenciar uma humanidade historicamente negada, a partir da qual são narrados afetos, angústias, fraquezas e desejos, todos com um olhar racialmente marcado; nas melodias, vemos referências ao jazz, ao blues e ainda ao compasso dos toques de candomblé; nas imagens, são representados elementos das religiões afrodiaspóricas, de modo tanto metafórico quanto arquetípico. Vale ressaltar também as referências à literatura escrita, com as obras de Conceição Evaristo, Tatiana Nascimento e bell hooks. Assim, o álbum é usado para compreender as possibilidades de comunicação e circulação literária próprias da expressão musical, e também discutir sobre o recente movimento de trazer para a arte pluriperspectivas, nas quais indivíduos silenciados e relegados ao lugar de objeto reivindicam a autonomia de expor suas narrativas.
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