Práticas pedagógicas de professores e professoras nas Danças Gaúchas de Salão no contexto competitivo do ENART-RS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.58786/rbed.2026.v5.n9.73643

Palavras-chave:

Docência em Dança; Práticas Pedagógicas; Danças Gaúchas de Salão; ENART; Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Resumo

Este trabalho analisa as práticas pedagógicas de professores e professoras de Danças Gaúchas de Salão (DGS) no contexto competitivo do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART), com foco em pares que foram classificados entre os dez primeiros colocados na final de 2024. O estudo situa-se no campo do ensino da dança em contextos não formais, articulando as dimensões pedagógicas, culturais e competitivas que caracterizam essa prática no âmbito do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) do Rio Grande do Sul. O referencial teórico fundamenta-se nas concepções de pedagogia relacional (Becker, 2008), nos modelos de heteroestruturação, autoestruturação e interestruturação propostos por Not (1981, apud Souza; Macara, 2020), e nas contribuições de Souza e Xavier (2021), Marques (2010) para a compreensão do ensino da dança como prática complexa e multidimensional, entre outros. A investigação adota abordagem qualitativa de caráter etnográfico, com coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas, observação direta de ensaios em diferentes municípios do Rio Grande do Sul e acompanhamento do ENART 2025. Os resultados evidenciam que as práticas pedagógicas nas DGS constituem processos híbridos, fortemente ancorados nas trajetórias artístico-profissionais dos(as) docentes (predominantemente ex-dançarinos/as com formação em contextos não formais), nos critérios avaliativos estabelecidos pelo MTG e nas demandas do contexto de alto rendimento. Nos ensaios observados, identificamos uma predominância de estratégias pedagógicas nas quais o rigor técnico coexiste com escuta sensível, mediação afetiva e participação ativa dos(as) dançarinos(as). As planilhas avaliativas do ENART configuram-se não apenas como instrumentos de “medição do desempenho”, mas como dispositivos estruturantes dos processos formativos, orientando escolhas metodológicas e prioridades pedagógicas daquele contexto. Concluimos que ensinar as DGS ultrapassa a transmissão de movimentos, configurando-se como um processo formativo amplo que articula técnica, expressividade, identidade cultural e cuidado emocional, revelando uma docência situada entre a tradição e a performance competitiva.

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Biografia do Autor

Nathanael Peres Martins, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas-RS, Brasil.

Graduado em Licenciatura em Dança pela UFPel. Atou como bolsista do Núcleo de Folclore e Culturas Populares da UFPel (2023-2026), linha de pesquisa com foco em manifestações populares não hegemônicas do RS. Professor de Danças de Salão e Danças Tradicionais Gaúchas, com vasta experiência em avaliações de festivais, integrou a equipe técnica do Movimento Tradicionalista Gaúcho (2024), compõe o quadro de avaliadores da 26ª Região Tradicionalista em Concursos de Cirandas e Entreveros Culturais (2023-2026) e da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha (2025-2026), avaliando em diferentes estados do Brasil.

Marco Aurelio da Cruz Souza, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas-RS, Brasil.

Doutor em Motricidade Humana na especialidade de Dança pela Universidade de Lisboa - Portugal. Professor adjunto do curso de Dança Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas e do programa de Pós-graduação em Artes da mesma universidade.  Coordenador e pesquisador dos projetos Núcleo de Folclore e Culturas Populares da UFPel (OMEGA, UFPel - CNPq) e  Mediação Cultural, Educação estética e Processos Educacionais em Arte (Arte e Estética na Educação, FURB-UFPel - CNPQ).

Thiago Silva de Amorim Jesus, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas-RS, Brasil.

Professor Associado da Universidade Federal de Pelotas-UFPel/RS, atuando como docente no Curso de Dança - Licenciatura do Centro de Artes e no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, e também no Programa de Pós-Graduação em História - PPGH do Instituto de Ciências Humanas. Doutor em Ciências da Linguagem pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina, com a tese "Corpo, ritual, Pelotas e o carnaval: uma análise dos desfiles de rua entre 2008 e 2013", e Mestre pelo mesmo Programa, com pesquisa sobre A Linguagem do Corpo no Carnaval do Sul do Brasil (Bolsista CAPES-PROSUP). Pesquisador com formação de Licenciatura Plena em Dança e Especialização em Interdisciplinaridade e Linguagens, ambos pela Universidade de Cruz Alta-RS. É Professor Colaborador do Núcleo de Folclore e Culturas Populares da UFPel ? NUFOLK e dos Projetos de Pesquisa Poéticas Populares na Contemporaneidade e FOLK-COVID: Diagnóstico internacional sobre os impactos da Pandemia Covid-19 em contextos folclóricos e também Líder do Grupo de Pesquisa OMEGA ? Observatório de Memória, Educação, Gesto e Arte (UFPel/CNPq). Atualmente, é Professor Formador no Curso de Licenciatura em História à Distância do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB ? UFPel), junto ao Instituto de Ciências Humanas. Ex-Diretor da ANDA - Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança (gestão 2018-2021) e co-coordena atualmente o CTDança e(m) Cultura: poéticas populares, tradicionais, folclóricas, étnicas e outros atravessamentos. Artista Popular, diretor e fundador da Abambaé Companhia de Danças Brasileiras. Curador Artístico e Coordenador de Relações Internacionais do Encuentro Internacional de Folklore y Arte Popular América Unida (Uruguay). Avaliador de diferentes periódicos científicos; Membro do Comitê Editorial da ANDA - Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança e da Ícone - Revista Brasileira de História da Arte; e Associate Editor da Mabini Review - Multidisciplinary Journal, publicado pela Polytechnic University of the Philippines. Atualmente se interessa por temas como: Folclore de Margem. Carnavais. Memória e História associadas a questões étnico-culturais e políticas vinculadas à arte e cultura populares, principalmente referentes aos debates afro-diaspórico, indígena e latino-americano. Danças populares, danças brasileiras, folguedos. Mestras e mestres populares. Corpos, Cenas, Rituais. Poéticas Populares, Tradição, Invenção e Contemporaneidade... e outras contaminações, atravessamentos e desdobramentos que possam surgir destas noções e conceitos.

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Publicado

2026-09-12

Como Citar

PERES MARTINS, Nathanael; DA CRUZ SOUZA, Marco Aurelio; SILVA DE AMORIM JESUS, Thiago. Práticas pedagógicas de professores e professoras nas Danças Gaúchas de Salão no contexto competitivo do ENART-RS. Revista Brasileira de Estudos em Dança, [S. l.], v. 5, n. 9, p. e040905, 2026. DOI: 10.58786/rbed.2026.v5.n9.73643. Disponível em: https://www.revistas.ufrj.br/index.php/rbed/article/view/73643. Acesso em: 13 set. 2026.