FONTES PRIMÁRIAS, TERRITÓRIO E PESQUISA DESCOLONIAL

ARTICULAÇÃO TEÓRICO-EMPÍRICA VIVENCIADA NO CAMPO, EM UM CAPSi PARANAENSE

Autores

  • Angelo Pires Tavares Uniamérica
  • Cláudia Maria Serino Lacerda Muniz Unioeste - Paraná

DOI:

https://doi.org/10.59488/324

Resumo

Esta reflexão apoia-se em uma pesquisa de campo de natureza predominantemente qualitativa, realizada em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) do Estado do Paraná. Com base em formulários aplicados a adolescentes e responsáveis usuários(as) do serviço, discutimos a importância das fontes primárias para a pesquisa territorializada e suas relações com a escrita descolonial1. Inspirados(as) em Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2013)2, desenvolvemos os argumentos atribuindo às fontes primárias o estatuto de sujeitos, colocando-as para, efetivamente, refletir sobre sua própria condição de informantes e sobre as conexões que estabelecem com quem as utiliza. Trata-se de investigação crítica e interdisciplinar, cuja reflexividade se aproxima da perspectiva territorial de Rogério Haesbaert (2004) — para quem o território não é somente geográfico, mas também lugar de memórias, identidades, contradições e relações sociais. Assim, o CAPSi investigado figura não apenas como espaço empírico, mas como território de produção de sentidos e campo analítico, a partir do qual metodologicamente emerge a defesa conceitual das fontes primárias.

1 Para valorizar as identidades linguísticas do Sul Global, utilizamos o termo “descolonial” (com o “s”) sempre que associado a uma ação, mantendo a expressão original — “decolonial” (sem o “s”) —, somente quando estivermos nos referindo à abordagem epistêmica.

2 Optamos por citar, integralmente, os(as) nomes dos(as) intelectuais com os quais dialogamos neste texto, sempre que mencionados(as) pela primeira vez. A intenção é valorizar e destacar os(as) teóricos(as) do Sul Global e contribuir para que se tornem conhecidos(as) internacionalmente.

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Biografia do Autor

Angelo Pires Tavares, Uniamérica

Graduado em Gestão Pública (2020) e graduando em Educação Física pela UniAmérica Descomplica (2026). Possui interesse em pesquisas interdisciplinares em Saúde Coletiva, Salutogênese e Medicina do Estilo de Vida, com foco no contexto transfronteiriço entre Brasil, Paraguai e Argentina. Investiga o exercício físico como estratégia de promoção do bem-estar e fortalecimento de fatores protetores. Adota a perspectiva do esporte não apenas como prática competitiva, mas como elemento de integração, sociabilidade, pertencimento e negociação de identidades na fronteira, pautando-se em metodologias inovadoras e descolonais.

Cláudia Maria Serino Lacerda Muniz, Unioeste - Paraná

Doutora em Sociedade, Cultura e Fronteiras (2024) e Mestra em Sociedade, Cultura e Fronteiras (2017), pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE; Pós-graduada em Elaboração, Avaliação e Gerenciamento de Projetos (2013), pelo Centro Universitário Dinâmica das Cataratas; Graduada em Secretariado Executivo (2009), pela Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO. É secretária-executiva da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), exercendo suas atividades na Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação. Foi membro titular da Comissão Superior de Pesquisa da UNILA (Portaria UNILA nº 679/2018) e membro suplente do Comitê Local de Iniciação Científica CLIC (Portaria PRPPG nº 20/2018). É pesquisadora associada do Grupo de Pesquisa "Descolonizando as Relações Internacionais" (na América Latina), na linha de pesquisa "Integração Contra-Hegemônica", com interesse nas seguintes temáticas interdisciplinares: comunicação, circulação de ideias, imaginários sociais, discurso, discurso institucional, discurso de integração regional, discurso de fronteira(s), argumentação, retórica, retórica e alteridade, retórica e (de)colonialidade, Cooperação Sul-Sul, Epistemologias do Sul e Giro Decolonial.

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Publicado

2026-08-22