O contexto linguístico das comunidades tradicionais de terreiro
DOI:
https://doi.org/10.31513/linguistica.2023.v19n3a60417Palavras-chave:
Atos de fala. Comunidades. Linguagem. Performatividade. Tradição oral.Resumo
Este trabalho aborda o contexto linguístico das comunidades tradicionais de terreiro (CTTro), sobretudo o Candomblé, que estabelece uma relação com o contexto histórico e os ritos internos da religião como forma linguística de resistência através da oralidade (Hampatê Bâ, 2010) visto o processo de colonização no Brasil, que teve como efeito o aniquilamento das tradições africanas em diáspora (Nascimento, 2019). A interação através da oralidade traduz ou modela o tipo de comportamento que a comunidade estabelece a partir dos valores culturais que foram recebidos. Os estudos dos atos de fala, desenvolvidos por Austin (1990), permitiram analisar algumas práticas de terreiro como de caráter de ação performativa. A linguagem enquanto ação é considerada performativa, cujos efeitos marcam as vidas e o mundo social e, frequentemente, as suas intenções (e pretensões) conscientes (Rajagopalan, 1996). Considera-se que os atos performativos através dos processos ritualísticos das CTTro nos vinculam a uma ética, ancestralidade e identidade africana-negra, na medida em que são nesses espaços que são mantidos o cimento cultural que une os elementos diversos de um povo através do sentimento de continuidade histórica vivido pelo conjunto de sua coletividade (Munanga, 2020).
PALAVRAS-CHAVE: Atos de fala. Comunidades. Linguagem. Performatividade. Tradição oral.
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